Opinião

O G-7 na Baviera

Não podia ser diferente. Apesar do tema da reunião do G-7 acontecida nos últimos dias de junho em Elmau, na Baviera, sul da Alemanha ter sido: “Progresso na direção de um mundo equitativo”, foi a Guerra da Rússia x Ucrânia que dominou o encontro. Desde 24 de fevereiro quando a Rússia invadiu a Ucrânia iniciando a luta entre os dois países que o encontro bélico se tornou o assunto mais importante entre as nações devido aos seus desdobramentos e repercussões mundiais. Tanto pela guerra em si quanto pelas escassez de alimentos provocada pelo fato de ser os dois países celeiros mundiais e grandes produtores de fertilizantes. Além do aspecto climático visto a Rússia ser um dos maiores produtores de petróleo e gás.

Vale destacar que o G-7 que é formado pelos EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Japão, os países mais ricos do mundo, adotou uma medida inédita que foi o corte da importação de ouro russo, além de que acusou a China de práticas comerciais “sem transparências” e que consequentemente, “distorcem a economia global”. O G-7, ainda acusou a China de “trabalho forçado”. Esta, de imediato, apontou o G-7 de “semear a divisão” diante dos termos considerados duros na declaração final do encontro. De fato, os líderes do G-7 testemunharam encontrar-se viver um impasse que era desconhecer que tempo ainda duraria a guerra e por quanto tempo ela provocaria os aumentos dos preços da energia e dos alimentos. Esta é a grande encruzilhada. Não há perspectivas de paz. Daí, os temas sobre as mudanças climáticas, novas sanções, embargos e bloqueios contra a Rússia por causa do conflito contra a Ucrânia não saiam dos diversos painéis.

Durante o encontro do G-7, aconteceu um ataque contra um shopping na cidade de Kremenchuk, na Ucrânia. Os dirigentes do G-7 classificaram como “crime de guerra” e ataque “abominável” o impacto de misseis russos que deixou 16 mortos e 59 feridos. Por sua vez, o Presidente ucraniano Volodimir Zelensky qualificou como “ato terrorista” por ter atingido “um centro comercial onde havia mulheres, crianças e civis”.

Em relação a Guerra da Ucrânia, o G-7 prometeu apoiar “no que for preciso”. Apoio financeiro, humanitário, militar e diplomático. Para tentar cortar a receita de Moscou, além de proibir a importação do ouro acima citada, tentar limitar o preço do petróleo russo o que consideramos quase inviável porque a Rússia deverá exportar o máximo possível para a China.
A respeito do clima, o G-7 destacou que é urgente reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em cerca de 43% até 2030 e quanto a energia, o G-7 se comprometeu encerrar todos os novos apoios públicos diretos ao setor enérgico internacional com base em combustíveis fósseis.

Não custa lembrar que o conflito entre a Ucrânia e a Rússia não começou agora. Vem desde 2014, quando a Rússia invadiu a Crimeia anexando àquela península ucraniana ao seu território. A posição geopolítica de Ucrânia é da maior importância. Estrategicamente, o país está situado no ponto mais relevante para Rússia. No limiar. É crucial a situação geográfica ucraniana. Atualmente, a Ucrânia é o sexto país a se candidatar a entrar na União Europeia que tem 27 membros e também quer unir-se a Suécia e a Finlândia como candidata a OTAN que possui 30 membros. Tudo isso sob o olhar enigmático de Vladimir Putin, Presidente da Rússia. Eis o impasse. Não por acaso, o planeta pode ver-se a beira de um terceiro conflito mundial.

O encontro na Baviera corresponde a 48ª reunião desde que o grupo foi criado. A 49ª reunião do G-7 acontecerá no Japão, em 2023.


*Empresário e jornalista
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