O impacto da mobilidade no seu bolso

A mobilidade impacta diretamente a economia, impedindo que muita gente venda e que muita gente compre

Patrícia de Raposo, editora chefe da Folha de PernambucoPatrícia de Raposo, editora chefe da Folha de Pernambuco - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A mobilidade, um dos maiores entraves urbanos da atualidade nas grandes cidades do mundo, é mais que uma questão de deslocamento, é um problema de renda. Ela impacta diretamente a economia, impedindo que muita gente venda e que muita gente compre. Quando falamos em mobilidade não podemos considerar apenas o ir e vir num transporte público ou privado, mas a acessibilidade como um todo. É a possibilidade de caminhar numa calçada qualificada, permitindo a contemplação a uma vitrine, ou a facilidade de transitar em ruas devidamente pavimentadas para chegar a algum lugar.

A dificuldade de locomoção tem feito, acreditem, pessoas desistirem de trabalhar. Eu mesma presenciei um caso desses. Transtornos de acesso fizeram com que o Náutico desistisse da Arena Pernambuco e voltasse à sua casa de origem, os Aflitos, onde seus torcedores conseguem chegar com mais facilidade. O jogo de “estreia”, inclusive, acontece neste fim de semana.

Leia a reportagem especial:
Mobilidade: para o longe ficar mais perto

O pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco Wilson Fusco, pós-doutor em demografia, analisa que muitas pessoas desistem de sair de casa, se não for estritamente necessário. Isso tem feito com que muitos serviços e atividades de lazer sejam deixados de lado.

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A razão é o sacrifício imposto a uma parcela considerável da sociedade, que perde até 25% do tempo em que está acordada num transporte para ir e vir do trabalho. Pessoas que gastam três, quatro, cinco horas em deslocamentos, o que lhes exige sair cada vez mais cedo de casa e voltar cada vez mais tarde. Sobra tempo para quê? Quase nada.

A reportagem que abre a edição de fim de semana da Folha Mais traz exemplos de gente que não consegue ter tempo para estudar ou se divertir em função dos exaustivos deslocamentos, perdendo, inclusive, oportunidades de evoluir, de obter renda.

O Instituto Pelópidas Silveira, que vem trabalhando no Plano de Mobilidade do Recife desde 2015, identificou que os moradores dos bairros do Jordão e Ibura são os que enfrentam as piores condições de acesso aos centros de oportunidades. O Plano que está em execução estuda soluções para o tema e considera que três anéis viários, com faixas exclusivas para ônibus, podem mudar a dura realidade dos deslocamentos no Recife. Alguém pode pensar numa expansão do metrô, por exemplo, mas isso levaria mais de dez anos para ser concluído. E nossas necessidades são urgentes.

As cidades cresceram tanto nas últimas décadas que, mesmo havendo o mínimo de planejamento, tornou-se impossível controlar de um lado o adensamento nas áreas nobres e de outro a expansão para as periferias cada vez mais distantes. De um modo ou de outro, estamos todos submetidos a um crescente caos urbano. E sob este ponto de vista, há quem diga que a mobilidade se agravou tanto que se tornou um caso de solidariedade.

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