O jardim secreto do Poço da Panela

Comunidade quer transformar área às margens do rio Capibaribe em uma área urbanizada e comunitária; Hoje, há mato e lixo no local

Terreno tem cerca de 3.000 metros quadrados e, segundo a associação  dos moradores,  integra o projeto do Parque CapibaribeTerreno tem cerca de 3.000 metros quadrados e, segundo a associação dos moradores, integra o projeto do Parque Capibaribe - Foto: Anderson Stevens

Moradores do bairro do Poço da Panela, na Zona Norte do Recife, querem dar um significado diferente a um trecho das margens do rio Capibaribe que, hoje, serve só ao acúmulo de lixo, água suja e mato. No próximo sábado (27), o grupo pretende realizar o evento “Descobrindo o Jardim Secreto”, em que serão apresentadas ideias para transformar a área, de três mil metros quadrados, num jardim comunitário que estreite os laços entre a população e o curso d’água. Segundo a Associação dos Moradores e Amigos do Poço da Panela (Amapp), o espaço integra o projeto do Parque Capibaribe, desenvolvido pela Prefeitura em convênio com o Inciti/UFPE, mas ainda não teve sua etapa anunciada.

O terreno é acessado pela rua Marquês de Tamandaré, uma das que cruzam a avenida Dezessete de Agosto. O cenário contrasta com ruas situadas a poucos metros, bem cuidadas e limpas. Na margem do Capibaribe, há lixo amontoado. A lama também incomoda. O local é deserto. As poucas pessoas que passam são as interessadas em utilizar um barco que faz a travessia até o outro lado do rio, onde fica a comunidade de Monsenhor Fabrício, na Zona Oeste da Cidade. Pior é à noite, quando o ambiente fica escuro e inseguro, segundo moradores. “Já ouvi muita conversa sobre essa área aí. Se fizerem algo, vai ser bom. Hoje, está muito parado e abandonado”, comenta Antônio Cunha, que atua como barqueiro nas margens do rio. A moradora Eliete dos Santos também lamenta o estado do lugar. “Acho que ainda vai demorar para revitalizarem tudo isso”, avalia.

A ação “Descobrindo o Jardim Secreto” terá como proposta despertar um olhar ecossocial na população e levá-la a pensar alternativas colaborativas e agroecológicas para a ressignificação do terreno. Dialoga, sobretudo, com movimentos inovadores de implantação de projetos nas cidades, como o “Urbanismo Emergente”, processo que prevê a articulação de interessados na transformação dos espaços públicos. São intervenções urbanas como essas que o grupo se propõe a discutir para as margens do Capibaribe. Urbanistas colaboram com o trabalho desenvolvido pelos moradores.

“Na verdade, queremos dialogar com os conceitos do projeto do Parque Capibaribe. Estamos propondo a ocupação da área pública. Ali está sujo, abandonado, pode ser usado até como uma rota de fuga para quem pratica crimes na região. Queremos a mudança desse ambiente”, afirma o presidente da Amapp, Antônio Pinheiro, acrescentando que o projeto local deve caminhar para uma solução que também contemple o outro lado da margem. “A comunidade do Caiara tem que fazer parte disso. Os beneficiários da travessia são eles e os moradores do Poço da Panela”, completa.

No sábado, a ação ocorrerá das 15h até o pôr do sol. Haverá dinâmicas de integração, contemplação paisagística, andanças pelo terreno, uma mesa de frutas orgânicas e estímulos ao consumo saudável. A programação é gratuita e aberta ao público.

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