O PT está conseguindo fazer Dilma de “vítima”

A militância do PT que estava encolhida e envergonhada partiu para cima do governo Temer, a quem chama de “golpista”

Filme "Kong: A Ilha da Caveira"Filme "Kong: A Ilha da Caveira" - Foto: Divulgação

Por mais incrível que isto possa parecer, a queda de Dilma do governo está ajudando por tabela os candidatos petistas às próximas eleições. Como ela não caiu por improbidade e sim por “crime de responsabilidade” que 80% da população não sabe o que é, a tese da “vitimização” começa a ganhar corpo. Veja-se, por exemplo, as manifestações contra o governo Temer que ocorreram em São Paulo no último domingo. Seis meses atrás, quando o povo estava nas ruas pedindo o “fora, Dilma”, aquilo era impensável. Hoje, a militância do PT que estava encolhida e envergonhada com a operação Lava Jato, deixou a vergonha de lado e partiu para cima do novo governo, a quem acusa de “golpista” e de querer subtrair “direitos dos trabalhadores”, numa referência às reformas trabalhista e previdenciária. O governo Temer está perdendo a batalha da comunicação e isso pode ser benéfico para os candidatos do PT, sobretudo nos grandes centros.

Sem hostilidade

Enquanto o ministro Marcelo Calero (Cultura) era chamado de “golpista” no Festival de Cinema de Petrópolis (RJ) e o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) era obrigado a interromper uma sessão da Comissão de Educação do Senado devido aos gritos de “golpista”, João Paulo ainda não foi hostilizado nenhuma vez como candidato do PT à prefeitura do Recife. O desgaste do partido não pegou nele.

A paz > O prefeito Geraldo Júlio (PSB) ainda não inseriu o assunto “segurança” em sua campanha à reeleição. Está mostrando as obras que fez, priorizando o Compaz e o Hospital da Mulher. Já o candidato do PSB a prefeito de Olinda, Antonio Campos, promete instituir o “Pacto pela paz”, caso vença a eleição.

Silêncio > Não se fala mal de Dilma, nem de Lula, nem do PT, na campanha de Jorge Gomes (PSB) à prefeitura de Caruaru. É que a vice dele, Louise Caroline, é petista de carteirinha há muitos anos.

Estreia > O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Waldemar Borges (PSB), estreou na campanha de Gravatá pedindo votos para o candidato a prefeito João Paulo Rangel (PT).

Quarta vez > O ex-deputado Sérgio Leite já disputou três eleições para prefeito de Paulista (pelo PT) e perdeu todas. Agora, como candidato pelo PDT, adotou como slogan “Dê uma chance a Paulista”.

Apoio > O senador Armando Monteiro (PTB) aproveitou o final de semana para participar das campanhas de Teresa Leitão (Olinda), Hélio dos Terrenos (Belo Jardim), Maurício Andrade (Nazaré da Mata) e Joaquim Lapa (Carpina). À exceção de Teresa, que pertence ao PT, todos os outros são petebistas.

Aliança > Deu resultado do ponto de vista eleitoral a união do PSB com o PSDB de Águas Belas, cuja prefeitura é controlada pelo PT desde 2009 (Genivaldo Menezes). Agean Tenório (PSB), ex-vice de Genivaldo, aliou-se ao ex-prefeito Nomeriano Martins (PSDB) para enfrentar o petista Luiz Haroldo. E está crescendo.

Dissidência > Gonzaga Patriota (PSB) está gostando do rótulo de “dissidente”. Não apoia os candidatos a prefeito do seu partido em Petrolina (Miguel Coelho) nem em Salgueiro (Marcelo Sá). Em Petrolina ele está neutro e em Salgueiro subiu no palanque, sábado agora, do candidato Clebel Cordeiro (PMDB). Já Lucas Ramos (PSB) faz o mesmo em Jaboatão. Não está apoiando Heraldo Selva (PSB) e sim o candidato Manoel Neco (PDT).

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