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O que confere na sabatina de Maurício Rands na Rádio Folha

O Folha Confere, projeto de fact checking da Folha de Pernambuco, verificou três declarações dadas pelo candidato durante a sabatina. Até o horário de fechamento desta edição, a assessoria do postulante não havia dado retorno sobre as checagens enviadas

Declarações de Maurício Rands foram verificadas pelo Folha ConfereDeclarações de Maurício Rands foram verificadas pelo Folha Confere - Foto: Rafael Furtado / Folha de Pernambuco

No quarto dia da sequência de sabatinas com os candidatos ao Governo de Pernambuco, o quadro Folha Política, da Rádio Folha FM 96,7, recebeu, na quinta-feira (23), o ex-deputado Maurício Rands, da Frente “Pernambuco que Você Quer”. Foram discutidos assuntos como saúde; segurança e drogas; ação social; educação e cultura; infraestrutura; desenvolvimento econômico e turismo; e política partidária. O Folha Confere, projeto de fact checking da Folha de Pernambuco, verificou três declarações dadas pelo candidato durante a sabatina. Até o horário de fechamento desta edição, a assessoria do postulante não havia dado retorno sobre as checagens enviadas.

1) “Pernambuco já tem obra para demais: tem 1.200 obras paradas. Isso significa R$ 1,2 bilhão de que nós precisaríamos investir para retomar essas obras”.

Não confere - selo

De acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), no final de 2016 existiam 1.547 obras paralisadas/inacabadas em Pernambuco. O diagnóstico, apresentado em dezembro de 2017, é o último disponível e foi elaborado com base em dados fornecidos pelo próprio Governo do Estado e pelas prefeituras. Procurada pela reportagem da Folha de Pernambuco, a assessoria do TCE informou não haver, no diagnóstico elaborado pelo Tribunal, estimativa que dê respaldo à afirmação sobre o investimento necessário para a retomada das obras.

2. “O Estado brasileiro é um dos mais burocráticos do mundo”

Confere - selo

De acordo com dados do projeto Doing Business (Fazendo Negócios), do Banco Mundial, o Brasil ocupa a 125ª posição num ranking de 190 países, que aufere o grau de facilidade de se fazer negócios. Essa é a classificação global do Brasil, mas há indicadores específicos em que o desempenho do País consegue ser muito pior: no que se refere à burocracia para pagamento de impostos, ocupamos a 184ª posição; para abertura de empresas, a 176ª posição; e para a obtenção de alvarás de construção, a 170ª posição. As classificações de todos os países foram determinadas considerando informações colhidas até junho de 2017.

3. “Pernambuco investe 1 bilhão de um orçamento de 34 bilhões, já chegou a investir 3,6 bilhões”.

Não é por aí - selo

A reportagem da Folha de Pernambuco consultou os Balanços Gerais do Estado no Portal da Transparência e verificou a relação entre orçamento e investimento são as seguintes: nos anos de 2011 e 2012, quando o candidato foi secretário do Governo Eduardo Campos, as receitas do Estado foram de cerca de R$ 21,5 bilhões e R$ 24,4 bilhões, enquanto os investimentos com verba estadual foi de cerca R$ 1,9 bilhão e R$ 2,3 bilhões, respectivamente. Já em 2017, para uma receita de R$ 34,2 bilhões, o investimento foi de cerca de R$ 1,5 bilhão.

É verdade que houve investimento anual de R$ 3,6 bilhões, no período em que o candidato era secretário de Governo. O que Maurício Rands não deixou claro é que esses recursos não eram em sua totalidade “azuis e brancos”, isto é, não vinham do orçamento estadual, mas de convênios ou operações de crédito federais e internacionais, como Prodetur e Proinvest, do BNDES; e DPL II (Development Policy Loan) e PBL (Policy-based Lending), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), entre outros.

   Metodologia

A Folha de Pernambuco lança o seu projeto de fact-checking, o Folha Confere. O objetivo é a produção dinâmica de checagens de fatos para suas plataformas durante a eleição. O trabalho terá como alvo conteúdos disseminados na internet ou pelo celular e o discurso de lideranças políticas, conferindo selos às declarações conforme legendas abaixo. O objetivo é confrontar as versões dadas como oficiais com o trabalho jornalístico da reportagem, que levantará dados, datas, locais, pessoas envolvidas, fontes oficiais e especialistas.

O alvo das nossas checagens serão os debates da campanha eleitoral, guia eleitoral, os discursos nas agendas de campanha, correntes de WhatsApp, assuntos que viralizaram nas redes e as sugestões do leitor.

Todos os dias, nossa equipe de reportagem seleciona uma informação pública a partir de sua relevância em nossas reuniões de pauta e na cobertura diária de notícias. A partir da identificação do que será checado, nós consultamos a fonte original para checar sua veracidade. Também procuramos por fontes de origem confiável, consultamos fontes oficiais e alternativas. Em seguida, contextualizamos o que foi registrado e, por fim, classificamos a declaração em uma das quatro categorias estabelecidas pela nossa metodologia.

Etiquetas da nossa metodologia:

Confere! - a informação checada é verídica e comprovada por meio de dados, datas, fontes oficiais e especialistas.

Não Confere
- não é baseada em fatos verídicos, não é possível comprovar.

Não é por aí
- o conteúdo apresenta algum tipo de imprecisão. Pode ser parcialmente verdadeiro, exagerado, insustentável ou superestimado. Ou seja, exige esclarecimento ou contextualização maior.

De olho!
- ainda é cedo para confirmar a veracidade do conteúdo.

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