O que faz um profissional ficar: dados que todo gestor precisa conhecer
Reter talentos é proteger o ativo mais valioso da empresa: as pessoas.
Manter bons profissionais na equipe é um dos principais desafios da gestão atual, e também um dos que mais impactam o resultado financeiro da empresa. A rotatividade elevada gera custos com recrutamento, treinamento e perda de produtividade, além de enfraquecer a cultura organizacional.
Por isso, a retenção de talentos deixou de ser um tema apenas do RH e passou a fazer parte da estratégia do negócio. Acompanhe este artigo até o final para entender o que os profissionais realmente valorizam e como esse é o primeiro passo para reter quem faz a diferença na empresa.
O que os dados revelam sobre as prioridades do trabalhador
A pesquisa Retrato do Trabalhador Formal 2026, realizada pela Pluxee com 1203 profissionais CLT em todo o Brasil, traz pistas valiosas. Segundo o estudo, a média de benefícios recebidos subiu para 4,65, contra 4,28 no ano anterior, e a parcela de trabalhadores sem nenhum benefício caiu de 11% para 9%. As empresas estão, de fato, ampliando seus pacotes.
O ponto de atenção é que oferecer não é o mesmo que ser suficiente. No ranking de importância, alimentação e saúde aparecem no topo das prioridades: valealimentação (49%), plano de saúde (46%) e valerefeição (31%). Ainda assim, 62% dos trabalhadores dizem que o valealimentação não cobre o mês inteiro e 44% precisam complementar o valerefeição do próprio bolso.
Para quem gerencia pessoas, o recado é claro: não basta ter o benefício, ele precisa ser efetivo no dia a dia.
Benefícios e a percepção sobre a empresa
Os dados também mostram uma relação direta entre benefícios e como o colaborador enxerga a empresa. O eNPS, indicador que mede a disposição de recomendar a empresa como um bom lugar para trabalhar, salta de +2 entre quem não recebe benefícios para +44 entre quem tem um pacote completo de alimentação, refeição e saúde.
Isso significa que investir em benefícios não afeta apenas o bemestar individual; afeta a marca empregadora, a atração de novos talentos e a permanência dos atuais. Um colaborador satisfeito se torna um promotor da empresa dentro e fora dela.
Retenção não depende de um único fator
Um erro comum é acreditar que salário resolve tudo. Os dados evidenciam que a permanência resulta de uma combinação de fatores, e cada um deles pede atenção da liderança.
A remuneração continua sendo a base, mas precisa vir acompanhada de benefícios e práticas que cubram as necessidades do colaborador, dentro e fora da empresa. Alguns dos fatores que mais afetam a retenção de talentos são:
- Desenvolvimento profissional: quando há oportunidades claras de crescimento, mostra ao time que há futuro na empresa;
- Liderança: a relação com o gestor direto é um dos principais motivos de saída ou permanência;
- Flexibilidade: cada vez mais valorizada, aparece na busca por soluções que respeitem diferentes perfis;
- Bem-estar: deve incluir saúde física, emocional e financeira.
Recomendações práticas para gestores e lideranças
Traduzir esses dados em ação é o que gera resultado. Alguns caminhos são bastante diretos. Entre eles:
1. Reavalie a suficiência dos benefícios, não apenas a quantidade, dando atenção especial à alimentação, que lidera as prioridades e ainda apresenta lacunas.
2. Considere modelos de benefícios flexíveis, que permitem ao colaborador direcionar o valor conforme sua realidade, aumentando a percepção de valor sem elevar o custo total.
3. Invista no preparo das lideranças, já que gestores bem preparados retêm equipes.
4. Acompanhe indicadores como eNPS e turnover para medir o efeito das mudanças e ajustar a rota quando necessário.
Reter talentos é uma decisão estratégica
Quando a empresa entende o que o profissional valoriza e age sobre isso, os resultados são menos rotatividade, menos custos indiretos e uma equipe mais engajada.
Investir em remuneração, benefícios efetivos, desenvolvimento, boa liderança, flexibilidade e bemestar não é despesa, e sim uma forma de fortalecer a competitividade do negócio. Reter talentos, no fim das contas, é proteger o ativo mais valioso da empresa: as pessoas.

