O Sport, de Luxemburgo, está disputando de verdade

Com o experiente treinador, time rubro-negro assumiu uma nova atitude nos gramados, brigando por cada centímetro do campo

José Neves CabralJosé Neves Cabral - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Vanderlei Luxemburgo assumiu o Sport há cerca de um mês. Mas já é possível ver sua face na forma como o time passou a jogar. Os resultados que estão começando a brotar não são obra do acaso. Na verdade, são consequência. Claro que um mês é pouco para um treinador. Mas depende do treinador, das circunstâncias. Vencer na Ilha do Retiro sempre foi um fato comum para o Sport. Ali, onde o caldeirão ferve, é possível espremer os adversários. Mas prefiro me ater aos três jogos em que o time conquistou pontos fora do Recife - Atlético Mineiro (2x2), Santos (0x1) e Coritiba (0x3).

Nesses duelos, ficou evidente a diferença entre o antes e o depois. Antes, o Sport jogava quase cabisbaixo. Uma derrota fora de casa era encarada como "normal". A obrigação do time era vencer os jogos no Recife, o que sedimentava sua campanha de permanência na Série A. Numa das entrevistas, o treinador citou esse detalhe: "Perguntei aos jogadores se eles estão jogando como participantes ou estão disputando a competição. Quem está disputando tem que jogar pra ganhar".

A primeira semente estava plantada. Ele fez os jogadores entenderem que é preciso disputar a Série A, brigando palmo a palmo pela bola em todos os espaços do campo. Na derrota para o Vitória, em plena Ilha do Retiro, seu discurso no vestiário foi enfático e bem esclarecedor sobre comportamento do time. Luxemburgo disse claramente que o time não correu, não mostrou interesse e arrematou: "Desse jeito, daqui a três jogos eu vou embora, a diretoria vai trazer outro técnico experiente, mas não vai mudar."

Pronto, ali ele plantou outra semente e apontou a direção: a equipe precisava correr mais, se doar mais. Até então era muito simples perder e deixar, intencionalmente ou não, a culpa cair nos ombros do treinador. E a cada derrota fica mais pesado, as cobranças da torcida aumentam, a direção se sente pressionada.

Além de tudo isso, seu inegável conhecimento do jogo contribuem para que o Sport esteja crescendo. Na vitória sobre o Coritiba, bastava uma paralisação qualquer para que ele chamasse Everton Felipe à beira do gramado. O jovem meia-atacante que fez algumas partidas horrorosas neste mesmo Brasileiro (contra Atlético e Santos, principalmente) cresceu e virou um esteio na ausência de Diego Souza. Alguém quase onipresente, ora na esquerda, ora na direita, sempre uma opção para sair jogando com os laterais, oferecendo-se para o jogo.

A atuação do Sport contra o Coritiba foi empolgante para os rubro-negros. Não só por ter colocado o time na zona de classificação da Libertadores, mas porque mostrou aos próprios jogadores que é possível disputar de verdade o Campeonato Brasileiro, não sendo apenas um mero figurante.

Veja também

Pernambuco registra 1.450 novos casos e 29 óbitos por Covid-19
Coronavírus

Pernambuco registra 1.450 novos casos e 29 óbitos por Covid-19

Covid-19: entidade orienta sobre vacinação em pacientes reumáticos
Saúde

Covid-19: entidade orienta sobre vacinação em pacientes reumáticos