Observação do trânsito de Vênus completa 137 anos com atividades em Olinda

Evento astronômico histórico ocorreu em 1822 na cidade e marcou a primeira participação do Brasil em um empreendimento científico de repercussão internacional

Observatório da SéObservatório da Sé - Foto: Bruno Campos/ Arquivo Folha

Fenômeno raro, o trânsito de Vênus é a passagem do planeta Vênus diante do Sol, que oculta uma pequena parte do disco solar visto da Terra. Em 6 de dezembro de 1822, há 137 anos, a observação do fenômeno em Olinda, Região Metropolitana do Recife, marcou a primeira participação do Brasil em um empreendimento científico de repercussão internacional.

A partir dessas observações, feita por uma equipe liderada pelo astrônomo Julião Lacaille, foi possível chegar a medidas mais exatas da distância da Terra ao Sol. Em homenagem às observações de 1822, foi construído um obelisco em Olinda, próximo ao elevador panorâmico do Alto da Sé.

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O evento histórico será lembrado pelo Observatório da Sé, com atividades lúdicas e observação do Sol durante o dia e, à noite, dos planetas Vênus, Júpiter e Saturno, além da nebulosa da constelação de Órion e do aglomerado estelar da constelação de Touro. As atividades serão na segunda-feira (9) e terça-feira (10), das 16h às 20h.

O trânsito de Vênus só é possível quando Vênus, Sol e Terra estão alinhados. O fenômeno raro ocorre em uma sequência que geralmente se repete a cada 243 anos, com pares de trânsitos espaçados de oito anos, seguidos de longos intervalos de 121,5 e 105,5 anos. A sequência mais recente aconteceu em 2004 e 2012 e a próxima está prevista para ocorrer em 2117 e 2125.

Medir distâncias de fora do sistema solar
Para medir a distância de um objeto é preciso que ele seja observado de dois pontos diferentes. Para objetos localizados no sistema solar, dois pontos distantes localizados na superfície da Terra podem ser suficientes. No entanto, para estrelas fora do sistema solar, é preciso usar como referência o diâmetro que a Terra descreve ao redor do Sol. As Leis de Kepler, que regem o movimento dos planetas, estabelecem uma relação exata entre os períodos orbitais dos planetas e os raios de suas órbitas. Com isso, é possível constituir um elo de conexão entre todos os corpos do sistema solar.

Ou seja, conhecer a distância da Terra ao Sol seria a base para medir distâncias entre quaisquer corpos no universo. Kepler foi o primeiro astrônomo a conseguir predizer um trânsito de Vênus, em 1627. Desde então, as observações dos fenômenos tornaram-se mais comuns e, no século XVIII, passou-se a organizar missões astronômicas globais, com observações realizadas de pontos espaçados do planeta.

Foi o que aconteceu em 1882, quando o Brasil, pela primeira vez, participou de um destes empreendimentos científicos internacionais. A região de visibilidade total compreendia toda a América do Sul; toda a América Central e o leste da América do Norte. Além do Brasil, diversos países participaram do empreendimento, a exemplo de França, Inglaterra e Estados Unidos.

O Brasil participou com três missões organizadas pelo Observatório Nacional. A primeira, de Olinda, ficou em território nacional; a segunda foi para a ilha de São Tomaz, nas Antilhas; e a terceira observou a partir de Punta Arenas, no Chile. As medidas obtidas da distância Terra-Sol foram muito próximas do valores atualmente aceitos. Novas observações foram realizadas durante os Trânsitos de Vênus de 2004 e 2012, que permitiram, entre outras coisas, refinar as técnicas para busca de planetas fora do sistema solar.

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