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Odília Nunes: conectada com a inspiração

Odília Nunes, 36 anos, abraçou o teatro como profissão e voltou a morar no Sertão do Pajeú, onde desenvolve projetos como atriz e palhaça

Odília NunesOdília Nunes - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

“O médico é médico todos os dias, o padeiro faz pão todo dia, o professor é professor todo dia, e eu? Faço teatro todo dia!”. Esse é um lema que a atriz Odília Nunes, de 36 anos, aprendeu no convívio com mestres da cultura popular e que ela carrega como filosofia de vida. Há quase duas décadas, produzir arte é seu ofício diário, que a faz rodar o Brasil de apresentação em apresentação. Quando não está viajando, ela faz de palco os quintais de sua vizinhança, em pleno Sertão do Pajeú. Mas parada é que não fica.

Desde 2014, a artista vive na área rural de Ingazeira, a 390 quilômetros da capital pernambucana. Mora com as duas filhas - Violeta, de 11 anos, e Helena, 9 - em um sítio chamado Minadouro, com 30 casas e 130 habitantes. Por lá, tem desenvolvido um trabalho batizado de “No meu terreiro tem arte”, levando para a comunidade apresentações artísticas. O projeto venceu o Prêmio Roberto de França (Pernalonga) de Teatro em 2018, na categoria Iniciativa Individual.

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“Tenho o privilégio de estar vendo uma plateia ser formada. Estou vendo meus vizinhos desejando consumir arte, perguntando quando vai ter espetáculo”, comemora. A atriz pretende aprimorar o projeto, buscando apoio financeiro por editais. Em paralelo, planeja duas novas montagens - um solo e outro com as filhas - e a segunda edição do festival Chama Violeta, realizado em outubro deste ano.

Odília Nunes

Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Carreira teatral
Foi em Tuparetama, onde nasceu e viveu até os 17 anos, que Odília despertou para as artes. Primeiro, vendo os circos itinerantes. Melhor amiga da filha do prefeito (veja foto dela no final deste texto), ganhava ingressos para as sessões. “Toda segunda-feira ia à feira livre espiar o ‘homem das cobras’, que segurava uma roda de gente contando causos”, relembra.

Quando o primeiro festival de teatro aportou naquelas terras, tinha 11 anos. Entrou para o grupo teatral da cidade, liderado por Romualdo Freitas. Aos 14 anos, dirigia a companhia. Concluído o ensino médio, queria viver de teatro. Foi morar com uma tia em Juazeiro, na Bahia.

Odília Nunes

Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A mudança de cidade a colocou em contato com um dos maiores influenciadores da carreira: Sebastião Simão Filho e sua Cia. Máscaras de Teatro, de Petrolina. Passou a fazer parte do grupo. Foi morar sozinha, aos 18, para fazer teatro em tempo integral. “Sebastião foi o primeiro divisor de águas da minha vida artística. Com ele entendi a grandiosidade do teatro. Que este amor podia ser profissão sim”, conta.

A decisão de viver de sua arte levou Odília a morar em diferentes lugares. Foi morar no Recife, com os integrantes da Máscaras. Com o fim do coletivo, permaneceu na capital pernambucana. De sua mente fértil brotaram personagens como Cordelina (boneca gigante de cabaça) e a palhaça Bandeira, estrela do espetáculo “Decripolou Totepou”. Morou no Ceará, no Rio de Janeiro e até no Chile.

Depois de 17 anos longe do Pajeú, Odília fez o caminho inverso e voltou para onde começou. “Entendi que hoje posso viver e fazer teatro em qualquer lugar, porque parece que encontrei meu jeito de expressão. Agora, tenho meu ‘circo’, minhas ‘caixas com cobras’. Tenho o privilégio de viver em qualquer lugar. Minha profissão permite isso. Porque, então, ser tão longe do território que me inspira?”, questiona.

Odília Nunes

Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Veja, abaixo, vários momentos importantes da vida de Odília:

1. Quando a bisavó de Odília (com seis meses na foto) estava grávida, uma cigana teria previsto que ela morreria em breve. Sua filha e, mais tarde, a bisneta, receberam o nome da advinha, que acertou a previsão.

2. Melhor amiga de Odília na infância, Daysa Savana. Como era filha do prefeito, ela conseguia para a futura atriz ingressos gratuitas para todas as apresentações de circo que chegavam na cidade.

3. Aos 17 anos, Odília raspou a cabeça. O visual marcava uma nova fase de sua vida. Naquele momento, ela havia acabado de sair de sua cidade, Tuparetama, para morar com uma tia, em Juazeiro da Bahia.

4. As filhas de Odília, Violeta e Helena, acompanham a mãe em algumas de suas apresentações desde muito novas. As duas já criaram até um espetáculo próprio, chamado “Nós sem nossa mãe”.

5. Foi com o espetáculo “Decripolou Totepou”, criado há 14 anos, que Odília criou a palhaça Bandeira e começou a fazer encenações na rua. Até os dias de hoje, ela viaja com a montagem pelo Brasil e exterior.

Odília em vários momentos

Crédito: Acervo pessoal


 

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