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Olinda deve recuperar bicas históricas até junho

Ordem de serviço foi assinada na manha desta quarta (28), ao lado da Bica do Rosário, no Bonsucesso

Bicas históricasBicas históricas - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Foi assinada, na manhã desta quarta-feira (28), a ordem de serviço para recuperação das três bicas históricas de Olinda. Localizadas na Cidade Alta, os equipamentos estão atualmente degradados, com sujeira e água não propícia para o uso. Uma das bicas, a de São Pedro, sequer funciona. A assinatura do documento foi realizada ao lado da Bica do Rosário, no Bonsucesso. Integrante do PAC Cidades Históricas, a restauração dos três patrimônios, orçada em R$ 185,3 mil, deve ser finalizada em junho.

Ao todo, são três bicas - a dos Quatro Cantos, no Amparo; a de São Pedro, no Varadouro; e a do Rosário. Segundo o prefeito Lupércio (SD), a Prefeitura de Olinda irá ficar de olho nas bicas, para evitar degradação. “As câmeras de vigilância já estão funcionando. Vamos colocar o pessoal do Patrimônio e da Guarda Municipal para fiscalizar. É importante entregar a obra, agora também cabe a população nos ajudar, também fiscalizando, não jogando lixo”, explicou. “Essa é uma obra esperada por todos. A gente sabe o quanto que essas bicas são visitadas. Para mim, é uma alegria muito grande”, finalizou Lupércio.

“Essas bicas remontam a 1700. A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Pernambuco garantiu os recursos para a empresa vencedora da licitação trabalhar tranquila. Vamos devolver as três bicas à população”, disse o secretário de Patrimônio e Cultura de Olinda, Gilberto Sobral.

Segundo o gestor, cada equipamento ganhará um filtro na saída de água, para garantir que o conteúdo que sai de lá seja potável. “A população vai poder usar a água. Veremos cenas que não se observam há uns 40 anos, como o pessoal voltando da praia e lavando os pés, bebendo água”, comentou. Gilberto ainda adiantou que a próxima meta é recuperar o Cine Duarte Coelho.

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“O projeto já está completamente concluído, orçado em R$ 5 milhões. Esperamos que o Ministério da Cultura libere os recursos até junho, que é quando o Governo Federal pode liberar dinheiro de forma voluntária, em virtude das eleições”, relatou o gestor da pasta.



Atualmente, alguns se arriscam a utilizar a água de qualidade duvidosa que sai da bica, especialmente diante do cenário de racionamento no município. “Com o tempo, a água (das bicas) foi sendo contaminada com as fossas, construídas para o saneamento. E isso prejudicou a qualidade”, diz a arquiteta Vânia Avelar, do Iphan em Pernambuco. Ela escreveu um livro sobre as bicas históricas, que deve ser lançado junto com a reabertura do Mercado Eufrásio Barbosa, recuperado em parceria com o Governo de Pernambuco.

Entre os moradores de Olinda, a obra é mais do que bem-vinda. A recepcionista hospitalar Alexandra Lopes, 38 anos, mora ao lado da Bica de São Pedro, que sequer funciona. “Está assim parada há anos, abandonada. Não dá para recorrer a ela quando falta água”, reclama.

Também morador de Olinda, Jibson Silva, 44, reclama que a população não costuma fazer sua parte, usando de exemplo a Bica dos Quatro Cantos. Esta sai água, mas de qualidade esquisita. “Eu só confiaria em utilizar depois que testasse. Essa água deve ser melhor aproveitada, né. Mas o poder público vem, faz as ações, e sujam de novo”, opina.

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