Gaza

OMS contesta ordem do Exército israelense de esvaziar estoque no sul de Gaza em 24h

Desde o início da guerra, centenas de milhares de moradores da Faixa fugiram de suas casas e seguiram para o sul

Norte de GazaNorte de Gaza - Foto: Mahmud Hams/AFP

Dezenas de tanques israelenses entraram, nesta segunda-feira (4) no sul da Faixa de Gaza, onde o Exército expandiu uma ataque terrestre contra o Hamas, apesar da presença de centenas de milhares de civis e do aumento das ofensivas na região.

As forças israelenses, que iniciaram uma ofensiva terrestre em 27 de outubro no norte do território palestino, multiplicaram os bombardeios no sul desde a retomada dos combates em 1º de dezembro, após sete dias de trégua.

O Exército israelense disse que estava operando "com força" ao redor da localidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, submetido a intensos bombardeios.

Dezenas de tanques, veículos de transporte de tropas e tratores israelenses entraram nessa região, afirmaram várias testemunhas à AFP nesta segunda-feira.

Amin Abu Hola, 59 anos, informou que os veículos militares israelenses avançaram quase dois quilômetros até a localidade de Al Qarara, ao nordeste de Khan Yunis.

"Os combates e o avanço terrestre do Exército israelense na região de Khan Yunis não permitem que os civis se desloquem pela rodovia Salaheddin, no norte e leste da cidade", indicou o Exército em um comunicado.

A presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric, que chegou a Gaza nesta segunda, denunciou na rede social X, antigo Twitter, o sofrimento “intolerável” da população.

“Reitero nosso apelo urgente para que se proteja os civis de acordo com as leis da guerra e que se permita a entrada de ajuda sem obstáculos”, escreveu.

Também na postagem no X, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o exército israelense lhe pediu para esvaziar, em 24 horas, um armazenamento de material médico no sul da Faixa de Gaza, "pois no terreno o deixarão inutilizável".

“Pedimos a #Israel que retire esta ordem e tome todas as medidas possíveis para proteger os civis e as infraestruturas civis, incluindo os hospitais e as instalações humanitárias”, acrescentou Tedros Adhanom.

As condições no pequeno território pioraram ainda mais com o corte de “todos os serviços de telecomunicações”, anunciou a companhia local, Paltel. A interrupção ocorre devido a "um corte das principais redes de fibra óptica do lado israelense", explicou.

Quase 16.000 mortos
O ministério da Saúde do Hamas reportou nesta segunda 15.899 mortos, 70% deles mulheres e menores de idade, nos bombardeios israelenses, lançados em resposta ao ataque sem precedentes do movimento islâmico em território israelense em 7 de outubro.

Os combatentes islâmicos invadiram o território de Israel e mataram 1.200 pessoas, a maioria civis, segundo as autoridades. Israel declarou guerra ao Hamas e prometeu “aniquilar” o movimento que governa o território palestino desde 2007.

O Exército de Israel anunciou que três soldados morreram ontem no norte do território, elevando para 75 o número de militares mortos desde o início da explosão terrestre e 401 desde 7 de outubro.

Os combates recomeçaram segunda-feira na Cidade de Gaza, neste alvo de vários ataques aéreos. Segundo testemunhas, os tanques israelenses abriram fogo e entraram pela primeira vez no mercado da cidade velha, onde destruíram moedas de barracas.

Israel acusa o grupo islâmico palestino, classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos e União Europeia, de ter instaladas infraestruturas sob os hospitais da Faixa e de utilizar civis como escudos humanos.

"Ataque iminente"
Sob uma trégua obtida com a mediação do Catar, com o apoio do Egito e dos Estados Unidos, 80 reféns israelenses foram liberados em troca da saída de 240 detentos palestinos das prisões de Israel.

Mais de 20 referências adicionais também foram liberadas em Gaza, a maioria dos tailandeses que trabalharam em Israel.

No sul do território, os bombardeios israelenses se concentraram nos últimos dias em Khan Yunis e seus arredores, onde a cada dia o Exército alerta para um "grande ataque iminente" e ordena a saída da população.

Desde o início da guerra, centenas de milhares de moradores da Faixa fugiram de suas casas e seguiram para o sul.

“Apesar do que foi acordado, os ataques no sul de Gaza são tão implacáveis como os que o norte sofreu”, publicou nesta segunda no X James Elder, um porta-voz da Unicef.

“As pessoas nos pedem conselhos para saber onde podem se abrigar. Não sabemos o que lhes dizem”, denunciou, por sua vez, Thomas White, diretor da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) em Gaza.

A porta-voz da diplomacia americana celebrou que, desta vez, o Exército israelense planejou a evacuação de civis de uma "maneira mais selecionada", ao invés de "pedir a toda uma cidade ou região que evacue", como fez no norte da Faixa de Gaza.

"Chega de guerra!"
O Exército israelense informou que foram realizados quase 10.000 bombardeios aéreos desde o início da guerra, enquanto mais de 11.500 foguetes foram lançados contra Israel.

Os ataques destruíram ou danificaram metade dos edifícios da Faixa, segundo a ONU.

As necessidades são imensas no território, que é alvo de um cerco total desde 9 de outubro e onde 1,8 milhão de pessoas, de um total de 2,4 milhões, foram forçadas ao deslocamento devido à guerra, segundo a ONU.

Com exceção dos sete dias de trânsito que permitiram a entrada do Egito de centenas de trens de ajuda humanitária, a passagem da fronteira de Rafah é apenas parcialmente aberta.

Em Deir al Balah, na região central da Faixa, os feridos aguardavam atendimento no andar do hospital al Aqsa. "Minha filha de quatro anos está sob os escombros, não sei se está viva ou morta. Chega de guerra!", disse a mãe da menina, Walaa Abu Libda.

Paralelamente, na madrugada desta segunda, o Exército israelense lançou operações em diferentes setores da Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, principalmente em Jenin, segundo a agência Wafa.

O Exército matou cinco palestinos na Cisjordânia, segundo a Autoridade Palestina.

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