Ônibus do Grande Recife têm 6,36% menos passageiros

Pesquisa da NTU apontou que, no Brasil, a evasão de usuários do sistema de transporte público é ainda maior, chegando a 8,2% em média

O preço das tarifas é o problema mais destacado pelos usuários, segundo o estudoO preço das tarifas é o problema mais destacado pelos usuários, segundo o estudo - Foto: Paullo Allmeida

SÃO PAULO - O preço das passagens de ônibus é o problema que mais arranha a imagem do transporte público perante os passageiros. Essa foi uma das conclusões da pesquisa Mobilidade da População Urbana, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). A tarifa foi apontada por 64,5% dos entrevistados, seguida por falta de segurança (55%) e falta de conforto (44,9%). Os dados foram divulgados, na quarta-feira (30), durante o Seminário Nacional NTU, em São Paulo.

Na ocasião, representantes do setor também comentaram um levantamento divulgado recentemente e que mostrou que o transporte por ônibus no Brasil perdeu três milhões de usuários por dia no ano passado, uma queda de 8,2% em relação a 2015. No Grande Recife, uma análise preliminar indica que essa redução chegou a 6,36% no mesmo período.

O alto valor da tarifa é tão importante para o passageiro que 29,5% dos entrevistados deixaram de usar o ônibus, em 2016, só por esse motivo. A pesquisa coletou dados de 7.825 moradores de 35 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, entre 12 e 23 de junho deste ano. Os resultados tornaram a esquentar o debate acerca do financiamento do transporte coletivo. Atualmente, na maior parte das cidades brasileiras, é a tarifa que banca os custos, inclusive gratuidades concedidas a idosos e estudantes.

O setor defende que essa lógica mude e que o poder público subvencione os sistemas de transporte, assim como faz com saúde e educação. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a prefeitura conseguiu manter a tarifa congelada em R$ 3,80 no início de 2017, mas teve que colocar mais dinheiro para cobrir a diferença da passagem não reajustada - os subsídios já chegam a R$ 2,7 bilhões por ano.

No Grande Recife, também houve um exemplo recente. Em 2016, a tarifa subiu de R$ 2,45 para R$ 2,80, mas, segundo técnicos, seria necessário que chegasse a R$ 3,10 para cobrir os gastos do transporte. Para não dar um reajuste ainda maior, o Governo do Estado decidiu cobrir os R$ 0,30 que faltavam. Na época, o valor previsto para os subsídios, que também incluía os contratos de concessão dos corredores de BRT Norte-Sul e Leste-Oeste, chegou a R$ 149 milhões por ano.

Para o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, é preciso racionalizar as redes de transporte para reduzir os custos e também a tarifa. “Assim, você atrai passageiros e entra num ciclo virtuoso”, defendeu. “Na pesquisa, ficou claro que as viagens são demoradas, que a tarifa é cara para o bolso do passageiro e que ele gostaria de ter mais opções de rotas e horários. Identificamos que as redes de transporte não estão atendendo às necessidades”, completou.

Na ocasião, também foi citada a proposta de adoção de uma nova planilha de custos, formulada pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). A medida foi celebrada como um passo rumo à maior transparência dos componentes das tarifas, tão cobrada pela sociedade.

Queda
A pesquisa ainda detalhou números que podem ser relacionados à redução de passageiros transportados. Apesar de 42,5% de todos os deslocamentos serem realizados por meio de ônibus, 38,2% dos entrevistados deixaram de usá-lo no ano passado, dos quais 16,1% o abandonaram totalmente e 22,1% diminuíram o uso.

Esse índice aumentou em 24,2% no comparativo com uma pesquisa similar realizada pela NTU em 2006. O transporte ainda foi citado por 12,4% como um dos principais problemas urbanos no Brasil, ficando atrás de insegurança, falta de saúde e desemprego.

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