Continente africano

ONU: com guerra na Ucrânia, África enfrenta crise 'sem precedentes'

"É uma crise sem precedentes para o continente", destacou o economista-chefe da PNUD África, Raymond Gilpin

Milhões de pessoas na Somália correm o risco de passar fome, sendo as crianças as mais vulneráveis ao agravamento da seca no problemático país do Chifre da África, alertaram agências da ONU em 12 de abril de 2022Milhões de pessoas na Somália correm o risco de passar fome, sendo as crianças as mais vulneráveis ao agravamento da seca no problemático país do Chifre da África, alertaram agências da ONU em 12 de abril de 2022 - Foto: Yasuyoshi Chiba / AFP

A África enfrenta uma crise "sem precedentes" provocada pela invasão russa da Ucrânia, especialmente pelo aumento dos preços dos produtos alimentícios e do combustível, alertaram dois responsáveis do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) nesta sexta-feira (6).

A invasão da Ucrânia iniciada em 24 de fevereiro e as sanções impostas à Rússia afetaram muito os países africanos, já assolados pelas consequências da pandemia de covid-19 e da crise climática.

"É uma crise sem precedentes para o continente", destacou o economista-chefe da PNUD África, Raymond Gilpin, em coletiva de imprensa em Genebra, Suíça.

Gilpin, em videoconferência em Nova York, destacou o aumento da inflação registrado especialmente na África do Sul, Zimbábue e Serra Leoa.

O economista indicou que espera "uma queda do crescimento econômico no continente, que deveria aumentar levemente este ano após a covid, porque o crescimento das exportações será de 4% e não de 8,3%, como se previa".

Portanto, milhões de famílias teriam dificuldades financeiras, o que poderia desencadear uma onda de descontentamento social.

"Vemos a possibilidade de tensões em pontos quentes como Sahel, algumas partes da África central e o chifre da África", disse Gilpin.

Muitos países africanos dependem da Rússia e Ucrânia para se alimentar, dois importantes exportadores de trigo, milho, canola e óleo de girassol.

"Em alguns países africanos, até 80% do trigo vinha da Rússia e da Ucrânia", afirmou Ahunna Eziakonwa, subsecretária geral das Nações Unidas e diretora regional do escritório da PNUD para a África.

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