ONU pede 'vacina para o povo', enquanto Brasil bate recorde de mortos por coronavírus

No Brasil, 1.473 pessoas morreram em 24 horas, terceiro recorde consecutivo do país

OMS contabiliza mais de 120 pesquisas para descoberta de vacina contra Covid-19OMS contabiliza mais de 120 pesquisas para descoberta de vacina contra Covid-19 - Foto: Nicolas Asfouri/AFP

Para encerrar a pandemia de coronavírus, é necessária uma "vacina para o povo", declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres, nesta quinta-feira (4), enquanto o Brasil superou a Itália como o terceiro país com mais mortes por Covid-19 no mundo. A América Latina sofre com o flagelo da pandemia, onde existem cerca de 1,2 milhão de casos e 60.000 mortes.

No Brasil, 1.473 pessoas morreram em 24 horas, terceiro recorde consecutivo do país, que totalizou 34.021 óbitos na pandemia, superando a Itália, um dos países mais atingidos pelo coronavírus (com mais de 33.000 mortos). "Nada indica que a curva [de mortalidade] diminuirá" no curto prazo no Brasil, disse o presidente da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), Francesco Roca, em declarações à AFP.

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Na região da Bahia (nordeste), um toque de recolher noturno está em vigor desde quarta-feira em 19 municípios do sul do estado para impedir a propagação. Diante do avanço da pandemia, as Nações Unidas e a Organização de Estados Americanos alertaram para o "grave risco" em que estão os indígenas da Amazônia, lar de 420 povos originários, 60 deles em isolamento voluntário.

O Brasil ficou atrás apenas dos Estados Unidos, que nesta quinta-feira reportou 1.021 mortes e soma um total de 108.000 óbitos desde que a pandemia começou, destacando-se com folga como o país mais afetado em termos absolutos no que se refere a número de mortes e casos de contágio.

O México, por sua vez, que na quarta-feira tinha passado de mil mortes pela primeira vez em um dia, registrou nesta quinta 816 óbitos (totalizando 12.545) pela Covid-19 e o máximo de contágios diários pelo segundo dia consecutivo, com 4.442 novos casos confirmados, elevando o total a 105.680. A situação se agrava neste país exatamente na semana em que o governo estava se preparando para reativar sua vida econômica e social após mais de dois meses de confinamento.

O Peru superou os 5.000 óbitos pelo coronavírus, que já causa estragos nas fileiras da Polícia, no pessoal médico e entre jornalistas. O país, que registrou 137 mortos em 24 horas (5.031 no total), anunciou que importará oxigênio para uso medicinal em pacientes hospitalizados, dada a escassez existente, e o declarará "um ativo estratégico".

- Vacina para o povo -
Sem que a crise da saúde esteja encerrada, o mundo inteiro já sofre as consequências econômicas enquanto instituições e governos multiplicam medidas para combater o desastre. A economia da zona do euro entrará em colapso 8,7% este ano, alertou o Banco Central Europeu, anunciando que dobrará seus programas de ajuda, como a compra de dívida, até pelo menos o ano que vem.

Ao mesmo tempo, governos e organizações como o Unicef se reuniram em Londres para arrecadar fundos para a vacinação geral de 300 milhões de crianças, uma das faixas mais afetadas pela pandemia, pelo fechamento de escolas ou pela falta de cuidados de saúde elementares.

O secretário-geral da ONU aproveitou a oportunidade para afirmar que "uma vacina contra a Covid-19 deve ser vista como um bem público global, uma vacina para o povo". Uma verdadeira corrida para alcançar o remédio contra o Covid-19 foi desencadeada entre as principais potências mundiais, laboratórios e multinacionais.

Na reunião de Londres, esses atores se comprometeram a reservar US$ 567 milhões para comprar e distribuir a vacina possível, se houver, principalmente para os países em desenvolvimento. "Quando tomamos uma vacina, queremos desenvolver imunidade coletiva" e, para isso, devemos garantir que ela seja administrada a "mais de 80% da população mundial", disse à BBC o magnata e filantropo americano Bill Gates.

Enquanto se aguarda um remédio, continuam as discussões sobre medicamentos que já estão no mercado, como a hidroxicloroquina, usada por décadas para outros fins e que alguns médicos prescrevem para aliviar os efeitos do Covid-19.

A hidroxicloroquina foi desqualificada em um grande estudo mundial com dados de dezenas de milhares de pacientes. No entanto, três dos quatro autores do relatório se retrataram nesta quinta-feira na revista que publicou o relatório, a British Lancet, porque reconheceram que não tinham acesso aos dados primários.

- Vislumbres de normalidade -
Depois de meses de devastação, os países europeus, por sua vez, estão tentando retornar a uma certa normalidade. Com o turismo na mira, a Áustria reabriu suas fronteiras nesta quinta-feira, exceto com a Itália. A Alemanha encerrará as restrições ao turismo na Europa a partir de 15 de junho.

A cidade espanhola de Sevilha optou pelo recolhimento, com uma missa pelas mais de 27.000 mortes por coronavírus, realizadas na catedral, com o público reduzido devido a medidas de segurança sanitária. "É um ato solene que expressa um pouco a dor não só de Sevilha, mas da Espanha e do mundo", disse à AFP José Carlos Carmona, diretor da Orquestra Sinfônica Hispalense e do Coro.

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