Seg, 07 de Setembro

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opinião

A água como caminho de transformação

A ONG Waterlution no Brasil vem, ao longo dos últimos anos, se dedicando a um tema urgente e essencial: a governança da água. Vivemos um tempo em que as emergências climáticas já não são uma ameaça futura — elas estão aqui, afetando diretamente a vida nas cidades, principalmente nas periferias. Falamos de escassez, de enchentes, de saneamento precário e, também, falamos de soluções.

Na Waterlution, acreditamos que a inovação precisa nascer da escuta, da troca colaborativa e do protagonismo local. Por isso, nosso trabalho tem como foco a capacitação de pessoas historicamente sub-representadas — especialmente mulheres — para que se tornem líderes em suas comunidades, usando a água como ponto de partida para a transformação social. Fazemos isso por meio da abordagem WASH, uma sigla em inglês que significa Water, Sanitation and Hygiene (Água, Saneamento e Higiene). Esse método nos permite dialogar sobre saúde, dignidade, educação ambiental, justiça social e equidade de gênero.

Em Recife, já realizamos o programa WIL Brasil (Water Innovation Lab Brasil), com jovens lideranças, e agora estamos mergulhados no projeto Água Delas, uma iniciativa que nasce no bairro da Charneca, no Cabo de Santo Agostinho. Com apoio do Governo do Canadá e parceria com o Centro das Mulheres do Cabo, o projeto investe na formação de mulheres como lideranças de água de seus territórios. Promovemos na comunidade uma formação sobre WASH, mecanismos de políticas públicas, comunicação criativa e inovação colaborativa. Nossos programas compreendem segurança hídrica como uma forma abrangente de lidar com a adaptação climática. Ao enxergar clima e água através da mesma lente, acreditamos que a segurança hídrica é a chave para protegermos a água e nossas comunidades.

As mulheres da comunidade também vêm propondo soluções co-criativas, sustentáveis e possíveis, construindo redes de apoio e fortalecendo a resiliência de suas comunidades. O projeto as convida a refletir criticamente sobre os desafios do acesso à água, do saneamento e da higiene, e a se inserirem como protagonistas nos processos de tomada de decisão. Por meio do Água Delas, essas mulheres ampliam suas vozes e começam a ocupar espaços estratégicos na governança da água, contribuindo com recomendações concretas de políticas públicas e práticas sustentáveis baseadas em sua vivência local. É, antes de tudo, uma rede de fortalecimento e pertencimento. Mulheres que historicamente estiveram à margem dos debates ambientais agora ocupam o centro das soluções. Porque a água é o começo de tudo. E quando as mulheres cuidam dela, cuidam também do futuro.


* Responsável pelos programas da Waterlution Brasil e pela inovação nos programas globais da Waterlution


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