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opinião

A Democracia e os desafios globais

O Tema é muito palpitante. Os desdobramentos, impactantes. A curiosidade fica aguçada em pleno século XXI. O mundo vive crises de democracias. Em dias atuais, Democracia foi razão de desfiles e julgamentos judiciais no nosso país. Recente relatório divulgado em fevereiro/2025 pela revista anual THE Economist Inteligence Unit, intitulada Democracia INDEX, indica a qualidade da democracia de um país abrangendo 167 nações. Valendo ressaltar que dos 167 países apenas 71 são considerados regimes democráticos em todas as suas escalas, inclusive àquelas consideradas como imperfeitas.                        

O objetivo maior da pesquisa divulgada é “compreender porque a democracia representativa não está funcionando para um grande número de cidadãos em todo o mundo”. Vale salientar que o índice de democracia é baseado em cinco categorias: processo eleitoral e pluralismo; funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis. Daí, os países são distribuídos e classificados em democracia plena, democracia falha, regime hibrido e regime autoritário. Respeitando uma escala de 0 a 10, onde no 0 estão os regimes autoritários e no 10, as democracias plenas.  
                                                    
Num flash, aqui pode-se fazer uma mensagem aos países considerados mais democráticos pelo relatório: Noruega, Nova Zelândia e a Suécia. Na outra ponta, o Afeganistão, o Myanmar, a Coreia do Norte e a Síria. Sem esquecer entre os piores, Cuba, Venezuela, China e Rússia onde reina a falta da transparência como no Irã, no Paquistão, no Mali, Burkina Faso. Diga-se de passagem, que os países nórdicos continuam os mais democráticos do mundo. Noruega, Islândia, Suécia, Finlândia e Dinamarca, ocupando cinco dos sete primeiros lugares.

Trazendo para o nosso país, o Brasil teve uma queda. Perdeu seis posições. Caiu de 51ª para 57ª posição ficando na América Latina atrás do Chile, Argentina e Uruguai. É certo que o relatório considera que no Brasil houve uma polarização e uma violência política, depois da derrota da extrema-direita, em outubro de 2022.

Fato concreto, segundo o mesmo relatório, é que há uma tendência de declínio democrático global e fortalecimento do autoritarismo.

Vale destacar, no entanto, que os países da Europa Ocidental têm a maior pontuação do índice de qualquer região com 8,38. Foi a única a melhorar uma pontuação em 2024, mundialmente. A França foi rebaixada de uma democracia plena para uma democracia falha, em 2024, no item “o funcionamento do governo”, assim como a Coreia do Sul.

Enquanto três países figuram à condição de “democracia plena”. Portugal, Estônia e a República Tcheca, os dois últimos do Leste Europeu.

Os EUA permanecem classificados como uma democracia falha ocupando o 25º lugar com expectativas de piora para estes 2025. Um agravante pode ser Donald Trump. Considerado, um imponderável.

Constata-se quanto sensível é a Democracia no espaço mundial a partir de que o Índice de Democracia do The Economist Intelligence Unit sugere uma tendência de repressão e estagnação das democracias pelo mundo, assim como outras publicações do setor como a IDEA, V-DEM, Freedom House.

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