Seg, 20 de Abril

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OPINIÃO

A esperança não é propriedade de ninguém

“Quando eu sinto angústia
na minha vida, o que me
faz continuar é que eu sou
prisioneiro da esperança.”
Desmond Tutu

 


A esperança é o mais importante sentimento que move a vida do ser humano na direção de um almejado futuro melhor. Sem esperança, a vida fica presa unicamente ao tempo presente.

O tempo presente das coisas futuras tem um só nome: a esperança. Ela é o imaginário que alimenta a alma. Assim como o tempo presente das coisas passadas é assentado na memória, que  é a energia que constrói a história.

A esperança não é a última que morre. Ela é a primeira que nasce. A esperança não é propriedade de ninguém.
Mesmo ainda muito cedo, o Brasil vive às indefinições de véspera de quem será o seu próximo mandatário, já que os eleitores vão escolher um caminho político para o futuro no dia 04 de outubro do próximo ano. De fato, talvez mandatário não seja a palavra mais correta a ser usada, uma vez que o Presidente da República manda cada vez menos.

Oportunidades político-constitucionais que levaram a uma forte expansão do poder do Legislativo, condicionaram o exercício do poder do Executivo a um contínuo jogo de negociações e trocas com o Parlamento. Mais ainda, parece o caso de um sistema “tricameralista” onde, além do Senado e da Câmara dos Deputados, o Poder Judiciário assume os ares de uma instância executiva e, também, legisladora de fato.

A redução do poder do Executivo, a consolidação do poder do Legislativo e a extrapolação do poder do Judiciário (leia-se STF) direcionam para um constante conflito entre as três esferas dos poderes constituídos, ocasionando um conjunto de crises políticas daí decorrentes.

A par da perda de poder do Executivo, novos nichos de poder surgem sociedade afora, numa espécie de mosaico da multiplicidade sócio-econômica atual, com agendas especificas que apontam para a modernização do Estado e do País. No Brasil um exemplo bem completo é o do segmento do agronegócio, alçado a uma posição de enorme influência política, econômica e social. Ressalte-se o caso da bancada ruralista no Congresso Nacional, que age de forma orgânica e eficiente na defesa e na apresentação de propostas para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro, hoje um dos maiores e mais competitivos do mundo.

As restrições impostas ao exercício pleno do poder executivo e a fragmentação da base parlamentar de representação popular, distribuída por um sem número de partidos políticos, dão origem por sua vez a um processo de aglutinação de algumas agremiações partidárias, que agem de uma forma sistemática e constante em favor de seus interesses comuns. O chamado “Centrão” é o exemplo típico deste tipo de atuação política e de exercício de poder.

O futuro do Brasil está batendo à porta! Teremos uma realidade centrada na busca pelos consensos possíveis ou na direção de confrontos inevitáveis, como soluções para os impasses políticos?

A esperança está lançada! Para onde ela irá?

Recife, 20 de fevereiro de 2025


* Economista.

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