A morte gradativa dos vilões-empregadores
Com a “uberização”, a “pejotização” e a cultura dos auxílios por todo lado, o País criou um ambiente que desestimula jovens ao compromisso de empregos formais. A construção civil é um exemplo. É mais fácil você encontrar um colaborador de cabelos brancos numa obra do que o filho dele. No campo, a mesma coisa. Isso gera problemas para quem quer abrir ou expandir seu negócio, arranjar funcionários, colaboradores etc. Bem… tudo isso num cenário que já é hostil ao empreendedor, do tamanho que for.
No Brasil, a imagem criada por anos sucessivos nas novelas é que o empresário é um explorador. Aquele sujeito malvadão que viaja nas férias com dinheiro que você ganhou para ele. Vamos lá então. Botar um negócio é facinho… Abra uma empresa, coloque teu patrimônio em risco (sua poupança, seu imóvel), tire um empréstimo e pegue sua ideia para pôr em prática. Provavelmente vai dar errado, porque mais de 50% das pequenas empresas abertas no Brasil fecham em menos de 5 anos. Arrisca assim mesmo! Aluga um imóvel e vai operar com zero de segurança jurídica e com uma das cargas tributárias mais altas do planeta.
Depois, vá contratar funcionários, onde grande parte vive de auxílios governamentais, sem treinamentos, baixa produtividade e escutando alguns políticos dizerem que você é um vilão. Assuma encargos trabalhistas gigantescos, assuma férias e 13º de seus funcionários, impostos, contador, fornecedor, sistemas, taxas, advogado, licenças, fiscalização municipal, estadual e federal.
Se seu funcionário adoecer, você paga, mas se você adoecer, ninguém nem sabe, o problema é seu! Feriados? Todo mundo quer “imprensar”; já você, acorda e vai dormir pensando em seus compromissos. Dormir? Bem… essa não é uma opção para todo dia. Você é obrigado a entender de legislações, marketing, sistemas, negociar com fornecedores e clientes (e cuidado! eles, não raramente, querem entrar com alguma ação contra sua empresa).
Ah! E não esqueça. Você também precisa ser terapeuta, porque tem que se dirigir à sua equipe com muito “carinho”. Se cobrar resultados é “assediador” e se cobrar prazo, o ambiente é “tóxico”. Se corrigir um erro, é “violência psicológica”. Se exigir responsabilidade, é “capitalista opressor”.
E ainda assim: O Estado te trata como suspeito, os funcionários como inimigo e a sociedade como vilão-malvadão. Sem falar que a burocracia vai te esmagar. E grande parte da sociedade acha que ter lucro é pecado.
Mais um detalhe: se sua empresa estiver em dificuldades ou quebrar, não aparece ninguém para ajudá-lo a compor suas dívidas, muito menos o Estado, e ainda vão lhe taxar de “incompetente”. Agora, se você prosperar, se sua empresa crescer, vão aparecer os “progressistas” de olho no lucro alheio; afinal, ninguém pode lucrar sozinho…
E essas pessoas que odeiam o lucro, odeiam também os empreendedores (sejam eles grandes ou pequenos), são os mesmos que odeiam a disciplina, o mérito, a produtividade, a prosperidade. É sempre mais fácil demonizar quem ousou, quem saiu da zona de conforto, arriscou, criou empregos e prosperou do que admitir a própria covardia, a própria incompetência.
Empreender no Brasil não é um privilégio. É uma espécie de transtorno psicológico acompanhado de muita fé. Uma fé sobrenatural. Esse é o cenário. Muito ruim para setores que precisam de mão de obra, especialmente aquelas menos qualificadas. Nos tornamos o País não do pleno emprego, pleno trabalho, mas da plena acomodação. Desestímulo à capacitação e à produtividade. Morte gradativa do espírito empreendedor.
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