A parceria público/privada cana/estado
Desde os primeiros passos da Capitania de Pernambuco no século XVI, a cana-de-açúcar tem sido importante e em alguns momentos principal coadjuvante do nosso processo de desenvolvimento.
Com efeito, sob a nova denominação de parceria público/privada, a atividade agroindustrial canavieira, continua fazendo sua parte, a despeito das enormes dificuldades, que enfrentou e enfrenta hoje, mais do que nunca aqui no Nordeste como a Região mais carente do Brasil, mas mesmo assim, subtraída de condições gerais de sobrevivência econômica, a cana de açúcar continua, talvez por masoquismo histórico, gerando milhares de empregos na Zona da Mata Litorânea, outrora sediando mais de cem unidades produtoras e hoje reduzida a menos da metade do que foi um dia.
Sem a necessidade de recorrer a séculos atrás, mas apenas na referência de “noutro dia” em termos de distância que a memória ajuda a sepultar, em 1933 o Governo Vargas, constatou a necessidade de criação de estrutura pública formatada como autarquia para sediar e proteger a atividade canavieira, principalmente no Nordeste, face ao vertiginosos crescimento que já se configurava no Sudeste, contribuindo para um cenário de super produção fora de controle, com risco de comprometimento do valor dos produtos finais açúcar e etanol nos mercados interno e externo.
Assim foi feito, com a criação do IAA, Instituto do Açúcar e do Álcool infraestrutura que apesar do título de autarquia pública, era na verdade uma agência reguladora público/privada, vez que era mantida pelo próprio setor, com destaque de contribuição incidente sobre o valor da cana, do açúcar e do álcool para a manutenção da entidade.
Infelizmente, depois de mais de sessenta anos de atuação protetora, o IAA foi extinto em 1989 sacrificado por inconfessos interesses políticos daquele momento, desde então, acelerou-se como previsto a débâcle do Nordeste canavieiro, principalmente no contexto dos Fornecedores de Cana e trabalhadores, bem como a tragédia expandida, repercutindo econômica e socialmente em mais de 200 municípios nordestinos, com população direta e indiretamente afetada da ordem de oito milhões de habitantes ou cerca de 10 por cento da população regional.
Observamos, que hoje constrangido falando como soldado raso do setor, que na ausência do nosso santo protetor o antigo IAA, estamos como pedintes junto aos Governos Federal e estaduais, de pires na mão desesperados mendigando atrás de esmolas de sobrevivência, pelo profundo desequilíbrio na relação custo/beneficio que se observa, valendo mais uma vez fazer um desesperado alerta gritando, “É proibido fechar usina no Nordeste! Ruim com cana, muito pior sem ela, cana não é problema é solução!”.
Por tudo isso, é fundamental, que o Governo tanto no plano estadual como federal, perceba a importância da atividade canavieira, pelo que já fez e representou e pelo que representa até hoje, em Pernambuco no particular e no Nordeste como um todo, não como velha matriarca aposentada mas sim como um privilégio nosso, ainda com muito fôlego para o enfrentamento dos desafios políticos, econômicos e sociais que temos pela frente.
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