Ao amigo Léo. A força de quem viveu intensamente
Sinto uma tristeza profunda por este momento de despedida. Mas que bênção imensa foi ter o privilégio de caminhar ao seu lado por mais de meio século, meu irmão.
Mais de cinquenta anos de amizade são uma vida inteira construída a quatro mãos — e por tantas outras que sempre estiveram contigo fortalecendo a verdadeira amizade.
Honrar o meu amigo e irmão Léo, lembrando da sua luz e da sua urgência de ser feliz, é a forma mais bonita de celebrá-lo.
Escrevo estas palavras sob incontroláveis prantos, mas tentando capturar exatamente essa essência: a força de quem viveu intensamente, como se soubesse que a hora de partir seria breve.
Hoje entendo a sua pressa de viver, meu irmão. E foi assim, intensamente, que você viveu.
Meu amigo Léo, mais de cinquenta anos não cabem no tempo, assim como a sua alegria não coube em limites.
Você viveu no ritmo do vento,
correndo mais forte que a escuridão.
Parecia saber, meu irmão, meu amigo,
que a passagem por aqui seria ligeira...
E como foi...
Por isso, não guardou abraço ou sorriso
e fez da própria vida uma linda fogueira.
E, falando em fogueira, a sua alegria especial se voltava para as festas juninas. Com você aprendi que não se inicia a curtição de um São João sem ouvir duas músicas na voz de Luiz Gonzaga: "Olha pro Céu" e "A Fogueira Tá Queimando".
Sua pressa de viver não era ansiedade. Era sede de luz. Era puro amor.
Você deixa um legado que vence a saudade e ensina a viver sem medo e sem dor.
Vai em paz, meu amigo.
Vai seguir em outro plano.
Do seu amigo, compadre e irmão,
Gerlan Monteiro.
