Ao menos um reconhecimento
Embalado pela época mais festiva do ano, que é a do carnaval, nosso País viveu uma incomum expectativa, no campo da Sétima Arte, pois recebeu três indicações ao Prêmio mais cobiçado do Cinema, tendo sido agraciado com um.
O Cinema brasileiro já teve épocas glamourosas, que o tornaram digno de premiações tantas quantas vezes, mas devido à concorrência com a indústria de outros países, incluindo à da sede do óscar, nunca tivera o devido reconhecimento.
Neste ano, voltamos ao cenário internacional das premiações, em dose tripla, o que já foi uma façanha inédita para o Brasil, que só tinha como recorde, duas indicações em 1999, por “Central do Brasil”.
Na época, a atuação magistral de Fernanda Montenegro já foi determinante para conferir peso à sua indicação, injustamente vencida por Gwyneth Paltrow (por Shakespeare apaixonado) que não imergiu profundamente no papel como a nossa representante.
Entretanto, embora tenhamos reunido, muitos requisitos para conquistar a cobiçada estatueta, a história das premiações e o “modus operandi” adotado para a escolha dos vencedores, sempre lançam uma indesejável dúvida.
A questão da “injustiça” não é novidade, embora a encaremos, em parte, como uma consequência do subjetivismo próprio das escolhas, já que tanto as indicações, como as premiações são feitas por meio da votação de jurados, com naturais diferenças humanas de opinião e de gosto.
Acrescente-se aí o fato de que essas diferenças existem entre os votante e, obviamente, entre estes e o público, pois cada um tem um olhar próprio sobre as impressões na telona, como um torcedor que, se pudesse, escalaria seu próprio time de futebol.
Todavia, se formos percorrer a história das premiações do óscar, sempre iremos esbarrar nos casos em que houve injustiça ao se premiar um ator, atriz, filme ou diretor “errado”, em preterição de outro.
A injustiça em si é só o resultado de um certame que envolve um sem-número de elementos de toda ordem, principalmente ligados à conjuntura política em que estamos, medonhamente, vivenciando.
Nesse cenário, entram em cena, interpretações e atuações que não são reveladas no alvissareiro momento da frase “...and the Óscar goes to...”, já que elas ficam soterradas sob os escombros das idiossincrasias do mercado e crítica cinematográfica.
Mas desconfiamos. Sabemos que uma ou outra indicação advém do momento político que, presentemente, devasta tanto sentimento bom, que bem poderia era tilintar na “belezura” da isenção, mas acaba saindo de cena, para dá lugar mais ao espírito competitivo da ideologia política, econômica ou religiosa.
Torci, inelutavelmente, para que nosso amado País arrebatasse as três indicações, muito embora meu favorito mesmo tenha sido o Filme “Conclave”, em que o Diretor Edward Berger, soube perfilhar um tema tão episodicamente situado no tempo, sob o rico tempero do suspense, de forma competente, na abordagem necessariamente séria que o tema requer.
Como cinéfilo (de carteirinha), desde tenra idade, esperei mais uma vez, em vão, que a Academia não decepcionasse muito (como vem fazendo, pois “Ainda estou aqui” e “Conclave” foram trabalhos competentes, merecedores de mais que um Óscar.
Ao menos, a estatueta de melhor Filme internacional para o primeiro acalentou os ânimos!
* Defensor público do Estado de Pernambuco.
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