Seg, 20 de Abril

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OPINIÃO

Beliche

Beliche: móvel com duas ou mais camas montadas uma sobre a outra. Contam que teve origem nos campos de batalha na Europa; era o tipo de acomodação usada por soldados durante as campanhas militares. Outros dizem que vem dos tempos das cavernas; eram improvisadas, pedra sobre pedra, com espaço para uma ou mais pessoas se deitarem e receberem melhor o calor do fogo na época do frio.

Também afirmam que a palavra vem da Malásia, biliq kechil, que significa alcova pequena. Outros alegam que vem do francês: lit bateau (cama de barca). Há outras origens, inclusive dos EUA, na Carolina do Norte. Opto pela 1ª alternativa.

Os beliches passaram a ser usados com frequência após a 2ª Guerra, em residências, pela necessidade de ampliar o número de camas, para abrigar o maior número de pessoas, ou seja, praticar o que hoje se chama otimização de espaços. Pequenas casas ou apartamentos com micro varanda, sala, cozinha, banheiro e dois ou três quartos conseguiam acomodar 10 a 12 pessoas de uma mesma família em uma única unidade. 

Bem antes, também por falta de espaço, os navios (militares ou não) e trens tinham seus beliches. Ainda hoje é assim. No caso comercial, o “vale quanto pesa” funciona como troca por uma cabine sem beliches. Já tive experiência de viajar a dois em uma cabine de trem com cama dupla: térreo e 1º andar, a que ocupei. Nada a reclamar.

Não perderia meu tempo – e o tempo de quem chegou até aqui – escrevendo sobre beliches. Fi-lo porque estão desenvolvendo beliches aéreos. Explico. Como forma de ampliar espaços nos aviões, uma empresa está desenvolvendo projeto para duplicar a quantidade de assentos nas aeronaves e acabar com os porta-bagagens internos.

Para chegar ao assento, os passageiros do andar superior ficarão com a cabeça próxima do teto. Terão mais espaço para reclinar as poltronas e esticar as pernas. Talvez a maior dificuldade seja o sobe e desce, que exigirá algum esforço para com os degraus entre o piso e o teto. Os de baixo ficarão em uma “casinha”, olhando as costas das poltronas do vizinho, como já acontece.

Vejo dois problemas: se houver necessidade de desembarque emergencial, vai ser um Deus nos acuda. Outro: se a sua poltrona é na parte inferior e o de cima tem problema de flatulência, use uma máscara ou peça para mudar de poltrona. Posso indicar outro: o do escape urinário em passageiro de cima que embarcou sem levar fraldas numa viagem longa (Campinas-Roraima, 4h20, por exemplo).

Despeço-me aqui, desejando e sonhando que o próximo governo trace e cumpra uma meta de construir e entregar à sociedade estradas de ferro e trens que cortem o Brasil, de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Partiu, Macapá! 


* Executivo do segmento shopping centers ([email protected]).

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