Desigualdade
As diferenças de todos os tipos desde os tempos imemoriais tem marcado a interação entre os habitantes da Terra, sejam os humanos dotados de inteligência ou os animais tidos como irracionais, carentes do especial predicado, frutos da evolução como Darwin identificou.
Desde sempre os registros e pesquisas revelam que os desiguais em raça, credo e costumes têm enormes dificuldades de interação, seja gente ou bichos, ou um mix como alguns transparecem ser, meio bichos, meio gente, são todos passageiros do mesmo planeta Terra.
A desigualdade, que permeia e compromete a interação harmônica entre os seres é detalhe de difícil superação, vez que coloca em risco até mesmo a sobrevivência comum, exigindo tolerância, compreensão, sentimento humanitário e tantos outros aspectos e atributos, que por vezes tornam impossível o convívio harmônico e pacifico, induzindo a mecanismos e práticas de vida ou morte como mostra a terrível realidade atual.
Sem prejuízo de outras considerações sobre as consequências da desigualdade, destacamos as mais visíveis entre os humanos, como a diferença entre brancos e negros, ricos e pobres, ateus e religiosos, analfabetos e letrados, bem como as que aludem as características de natureza física e mental, no contexto dos “afins se agrupam” confirmando, por outro lado, que “os diferentes se afastam”.
Quanto mais essas diferenças se exacerbam, mais se acentuam os riscos de rejeição, raiva, incompreensão e intolerância, antagonismos de toda sorte, que em alguns casos podem e devem ser amenizados para que sejam mitigados e tolerados visando o bem comum.
Constatamos, que onde as diferenças foram atenuadas, os conflitos foram eliminados ou reduzidos, como exemplo a sobrevivência e expansão civilizada da classe média nos países mais desenvolvidos, garantindo o direito a vida dos mesmos dotados das condições elementares à sobrevivência.
Voltando o holofote pra dentro de casa percebemos claramente que no espaço geográfico Brasil coexistem alguns países diferentes, desiguais, Brasil do primeiro mundo, e o Brasil do terceiro mundo, um faminto, doente, analfabeto, triste e sem futuro, ou de futuro incerto, pela doença, pela fome, de pés no chão, e outro rico, alimentado, feliz, letrado, ou na pior das hipóteses semialfabetizado, ansioso pela abundancia de comida, teto, e superlativos de acessórios, capazes de sonhar com mais, cada vez mais, até ou principalmente de poder, planos mirabolantes e perigosos, que vão do “motosserra” ao “morte certa”, tipo “sai da frente que o mundo é meu!”.
Diante disso, da abissal diferença, tudo se esvai quando a extrema e aguda desigualdade rouba a cena, exterminando a esperança por paz e harmonia, quanto menor a desigualdade maior é a felicidade, nos países ditos de primeiro mundo a classe média se distingue enaltecendo o modelo de acesso de todos ao direito a vida, sem prejuízo aos que tem mais no convívio com os que tem menos, só não vale é não ter nada, nem comida, teto, descalços de pés no chão, clamando por socorro nos semáforos das cidades.
O fenômeno fruto da desigualdade justifica e explica a polarização extremada no Brasil, dividido entre o “nós e eles”, ou pior o nosso país e o deles, contrariando o que reza a Constituição, que desprezada mostra-se insuficiente para representar o escudo democrático protetor, que tanta falta nos faz.
* Consultor empresarial ([email protected])
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