Sáb, 15 de Agosto

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opinião

Dos juros às eleições

Estamos vivendo um ano eleitoral. Em consequência, os valores econômicos tornam-se mais sensíveis e voláteis. A população fica mais vulnerável aos “ataques” dos candidatos que vão desde a presidente da República, a governadores dos estados e Distrito Federal, a deputados federais, estaduais e distritais, e de dois senadores por cada estado e o Distrito Federal. Praticamente, eleições gerais. As plataformas apresentadas chegam a ser hilariantes. Quando abordam o setor econômico, são bisonhas. Quando falam em juros e inflação são, impressionantemente, irresponsáveis.

De fato, em tempos normais, o que prejudica o Brasil é a política desonesta e a corrupção desenfreada quase institucionalizada Com apoio político acostumado à cobrança de pedágios. Para uma economia emergente, uma pequena inflação controlada é até recomendável porque estimula o crescimento com o consumo da população. Nada fora dos limites. 

O Brasil é, praticamente, autossuficiente ao produzir quase tudo do que necessita consumir. Volumes compatíveis. O país é um celeiro. Uma enorme vantagem da qual teria de tirar proveito. Precisa equilibrar as contas.

Muito além de remunerar o capital, os juros estão cotidianamente na vida do cidadão. De forma direta ou indireta. Clara ou oculta. Atua, indiscriminadamente. O juro é um fenômeno intrínseco na lei da inflação. Ele sobe para tentar diminuir o consumo e por consequência, conter a inflação. Trata-se de uma lei básica da economia. A lei mater das ciências econômicas. A lei da oferta e da procura.

Pode ser remunerativo de uma atividade, mas pode ser extorsivo. Pode ser criminoso. Não por acaso, foi através dos juros altos que se chegou a uma atividade criminosa, ou seja, a agiotagem. Quando setores de atividades periclitantes ou mesmo em períodos da economia em baixa resolução que dá lugares as atividades especulativas que possibilitam ao capital explorar às atividades produtoras cobrando dos setores produtivos, juros absurdos que são juros muito acima daqueles praticados no mercado e por isso, chamados de juros “paralelos” ou de agiotas. Aí, mora o perigo. Quando políticos inescrupulosos podem se aproveitar. Daí, nada em economia, sensibiliza tanto o eleitor quando se fala em juros. 

É preciso lembrar que a taxa de juros praticada no Brasil é a segunda maior do mundo, ficando atrás apenas da Turquia, dentre as 10 maiores taxas de juros mundiais.  À frente da Rússia, Argentina, México, Indonésia, Hungria. África do Sul. Israel e Filipinas.  

No entanto, esta lei básica parece não ser compreendida pelos candidatos aos mais altos postos do governo da nossa nação. Os discursos são para agradar e tentar obter o voto do eleitor de qualquer maneira. Muitas vezes utilizando meios escusos, seguindo o lema de que “os fins justificam os meios”,  alimentando a nível nacional, uma perniciosa bipolarização.

Restam poucos meses. Há tempo para reflexão visando a felicidade do povo brasileiro na busca de novas alternativas. Vamos crer! 
 


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