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Março Azul reforça a importância do rastreio precoce e uso de IA na prevenção do câncer de intestino

A campanha Março Azul tem papel estratégico na conscientização sobre o câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, uma das neoplasias de maior impacto em saúde pública no Brasil e no mundo. Terceiro tipo de câncer mais letal no país, responsável por cerca de 20 mil mortes anuais e por mais de 45 mil novos casos a cada ano, a doença apresenta evolução lenta e, na maioria das vezes, silenciosa, o que torna o rastreio precoce a principal ferramenta para redução da mortalidade e aumento das chances de cura.

O câncer colorretal acomete o intestino grosso, envolvendo cólon e reto, e está diretamente relacionado ao envelhecimento populacional e às mudanças no estilo de vida observadas nas últimas décadas. Sedentarismo, obesidade, alimentação rica em gorduras saturadas e ultraprocessados, baixo consumo de fibras, tabagismo e ingestão frequente de bebidas alcoólicas figuram entre os principais fatores de risco. Histórico familiar da doença e antecedente pessoal de câncer de ovário, útero ou mama também aumentam a probabilidade de desenvolvimento do tumor. Embora a maior incidência ainda seja registrada em homens e mulheres a partir dos 45 anos, observa-se um crescimento preocupante de casos em pessoas mais jovens, o que reforça a necessidade de avaliação individualizada e atenção aos sinais de alerta em qualquer faixa etária.

Entre os sintomas que podem estar associados à doença estão perda de peso sem causa aparente, alteração do hábito intestinal com episódios de diarreia ou prisão de ventre, presença de sangue nas fezes, dores abdominais persistentes, sensação de evacuação incompleta, gases, náuseas e vômitos. No entanto, é fundamental destacar que o câncer de intestino pode se desenvolver por anos sem provocar manifestações clínicas, o que evidencia a importância de realizar os exames de rastreamento mesmo na ausência de queixas.

Nesse contexto, o rastreio organizado representa a forma mais eficaz de prevenção. As diretrizes atuais indicam que homens e mulheres com risco habitual iniciem a investigação a partir dos 45 anos. Pessoas com histórico familiar ou outras condições associadas podem precisar começar antes, de acordo com a orientação médica. O teste imunológico fecal, conhecido como FIT, é utilizado como método de triagem populacional por identificar sangue oculto nas fezes. Já a colonoscopia é considerada o padrão ouro, pois permite a visualização direta da mucosa intestinal, a detecção de lesões precursoras e a retirada de pólipos durante o próprio procedimento, interrompendo a evolução para o câncer.

Os avanços tecnológicos têm ampliado de forma significativa a eficácia desse exame. A incorporação da inteligência artificial à colonoscopia atua como um sistema de apoio em tempo real, capaz de sinalizar alterações suspeitas que poderiam passar despercebidas ao olhar humano. Esse recurso aumenta a taxa de detecção de pólipos e lesões planas, reduz a possibilidade de falhas e contribui para um rastreio mais seguro e preciso. Trata-se de uma inovação que impacta diretamente na prevenção, pois possibilita intervenções em fases muito iniciais da doença.

Quando o câncer colorretal é identificado precocemente, as chances de cura podem chegar a 90 por cento. O tratamento é definido de forma individualizada e pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias biológicas, de acordo com a localização do tumor e o estágio em que ele se encontra. Mesmo após a conclusão do tratamento, o acompanhamento periódico é indispensável para detectar precocemente possíveis recidivas e garantir melhor qualidade de vida ao paciente.

A campanha Março Azul cumpre, portanto, uma função essencial ao ampliar o acesso à informação qualificada e estimular a população a incorporar o rastreio como parte da rotina de cuidados com a saúde. A prevenção do câncer de intestino está diretamente ligada ao diagnóstico precoce e à adoção de hábitos de vida saudáveis. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso corporal, abandono do tabagismo e moderação no consumo de bebidas alcoólicas são medidas que contribuem para a redução do risco.

A colonoscopia passa a ser compreendida como um instrumento central na estratégia preventiva, sobretudo quando associada às novas tecnologias de inteligência artificial, que elevam o nível de precisão do exame e fortalecem a segurança do paciente. Dentro do cenário proposto pelo Março Azul, torna-se fundamental consolidar a cultura do rastreamento na idade adequada, mesmo na ausência de sintomas, permitindo interromper o desenvolvimento da doença, reduzir a mortalidade e promover um cuidado contínuo com a saúde intestinal.
 


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