OPINIÃO

O tamanho da tragédia provocada pelo Coronavírus

Essa não é hora da velha queda de braço dos politiqueiros, mas sim daqueles que compreendem a dimensão dos Cargos que ora ocupam

Paulo Farias do Monte *

Uma Aeronave Airbus, na sua referência A321, consegue acomodar 185 passageiros na distribuição tradicional, com duas classes, ou 220 com uma configuração única de classe econômica.

Utilizo-me deste parâmetro para que a gente possa dimensionar o tamanho da tragédia que tem causado o coronavírus, transmissor da doença Covid-19. Não vou falar no nível mundial, mas apenas no Brasil.

É comum nas pessoas o choque com tragédias esporádicas. O acidente com um ônibus, onde há 40 mortes ou a queda de uma Aeronave, onde morrem cerca de 220 pessoas chocam, estarrecem.

O mundo e as pessoas ficam aterrorizadas com esses eventos. No ataque às torres gêmeas, em Nova Iorque, foram 3 mil mortes e o mundo abismou-se.
No entanto, o alarma do povo parece ser menor quando a tragédia vem de forma gradual, mesmo em grandes números a cada dia.

É como houvesse um conformismo, um acostumar-se.

Ontem, 09 de maio de 2020, foram mais 748 mortos no Brasil dentro de 24 horas e passamos de 10 mil mortos. Para ter a real compreensão dessa tragédia é como se caíssem três aeronaves e meia em um dia. Agora, vamos contabilizar o número de mortes que já ocorreram no Brasil por essa Pandemia.

São 10.621(dez mil, seiscentas e vinte uma) mortes dentro de dois meses.
É como do dia 14 de março até 08 de abril, 49 aviões lotados, tivessem caído em território brasileiro e deixando todos os passageiros e tripulantes mortos.
Essa é a nossa triste realidade e, talvez com esse comparativo, nosso povo possa, por fim entender a importância de colaborar, esforçando-se para ficar em casa, mesmo diante de todas as dificuldades financeiras.

É hora de acreditar mais na ciência do que em crendices e em políticos que, mesmo sem qualquer conhecimento sobre infectologia, teimam em usar sua força e liderança para conduzir o povo como conduz uma boiada para o matadouro.

Essa não é hora da velha queda de braço dos politiqueiros, mas sim daqueles que compreendem a dimensão dos Cargos que ora ocupam, num esforço conjunto para salvar vidas.

Vamos seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde.

Já vi empresa quebrar e soerguerem-se. Ressurreição, só tenho conhecimento de dois casos: Jesus e Lázaro, ressuscitado pelo primeiro.

Vamos juntos ficar em casa, só saindo quando necessário. Se precisar sair, usar máscaras para vencermos essa pandemia.

É um erro crasso colocar a economia com bem maior que a vida. A Vida é bem inalienável e indisponível . A oportunidade de viver é única.

Como bem diz a bela canção de Ana VILELA: “A vida é trem bala, parceiro e a gente é só passageiro prestes a partir”.

* Paulo Farias do Monte é advogado.

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