País chamado de meu
Populismo é decapitar o Estado. Retirar de sua estrutura funções orgânicas. Minimizando o papel do Parlamento e do Judiciário. Tornando o Executivo espécie de hidra de três cabeças. Na prática, sem nenhuma. Desfigurado o modelo de Montesquieu. De três órgãos funcionais e autônomos. Independentes e harmônicos.
Populismos há, de direita e de esquerda. Populismo de direita tem cheiro de fascismo. E ascendência na falida República de Weimar. Que entronizou Hitler mandatário do nazismo. Populismo de esquerda cheira a Rasputin. Putin. Subtrai sílabas, vozes, liberdade. No século XXI, o populismo de direita cresceu no rastro do desemprego. Oriundo da exaustão fiscal da social-democracia. E do surto do Estado mínimo. Animado no intervalo do ato cenográfico de Thatcher/Reagan. Depois, vieram outros. De menos talento.
Populismo, no Brasil, teve momentos agudos. O populismo nacional-trabalhista de Getúlio. O sindical de João Goulart. O moralista de Jânio. O populismo burguês de Collor. O transversal de Lula. E o chulo de Bolsonaro. Essas experiências populistas atravessaram a primeira República (1889-1930); a segunda República (1946-1964); e a terceira República (1985-2026).
Seu legado é duplo: continuadas crises políticas e irresolução dos problemas de desigualdade (pobreza, violência, desigualdade, fome). A elite brasileira não teve imaginação nem coragem para mudar. Em 1950, eleito presidente, Vargas disse: “Governo popular, ministério conservador. Ainda terá que ser assim”. Medo no ventre do populismo.
O populismo de Vargas era diferente do de Jânio. Embora assemelhados no exercício da retórica, eles se distinguiam pelo coronelismo. Coronelismo presente em Vargas e ausente em Jânio. No coronelismo Varguista, a relação chefe/base estava matizada pela autoridade do senhor rural. No populismo Janista, a relação estava caracterizada por interesse classista.
Juscelino combinou sabiamente tom nacionalista e populismo ameno. Sem perder vínculos com a burguesia industrial. Por isso JK foi maior presidente. E Jânio, menor. Em Vargas, o processo é diferente. Porque nacionalismo e populismo nasceram dentro do Estado. Nacionalistas e esquerda fecharam os olhos ao conflito político nos 50 e 60. Confiantes em que o povo estava ao seu lado, investiram tudo no Estado. Esqueceram banca, burguesia, Forças Armadas, forças capitalistas. O equívoco da esquerda foi ter acreditado que o poder do Estado era uno e insuperável. E que o povo estava todo de seu lado.
Grupos dominantes não conseguem legitimar a si próprios como condutores do processo político. Por isso, buscam intermediários. Mas nem todos sabem liderar democraticamente as massas. E promover mudanças que reduzam a desigualdade. Jair Bolsonaro é custoso equívoco que o nepotismo tornou franquia. Com riscos de virar falsete de original já revogado.
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