Poderosos são os que salvam não os que matam
Aos adoradores de si mesmos, leigos, ateus e afins, autointitulados donos de tudo e de todos, um alerta para reflexão, “—poderosos são os que salvam, não os que matam”, para estes o conceito de paz, ou pax no latim, não se resume apenas na ausência de guerra ou conflito, estendendo-se a segurança individual e coletiva, a harmonia na interação entre os povos, a justiça social, o respeito aos direitos humanos, elementos fundamentais ao convívio civilizado dos grupos e países.
Infelizmente não é o que temos observado no contexto internacional, marcado por sustos, ameaças e sobressaltos de toda ordem, que extrapolam o ambiente dos desajustes, políticos, econômicos e sociais, carentes de aperfeiçoamento e adequação a uma nova ordem de coisas, a um novo tempo, para se situar com indubitável destaque como um problema de natureza psíquica, mental, como um perigoso fenômeno, que tem emanado de uma dúzia de lideranças globais, em busca de holofotes para emoldurar o insano egocentrismo narcisista, roubando a cena com ameaças ostensivas ou veladas de todo tipo, que parece ser a regra dos que se imaginam poderosos pela capacidade de matar e não de salvar, preferencialmente em escala planetária, recorrendo inclusive aos artefatos atômicos de última geração.
A veneração pelo poder absoluto é a tradução do momento que estamos vivenciando, copiando a barbárie ancestral, praticada sem dó nem piedade pelos mais cruéis personagens da galeria dos maus da humanidade, tornando verdadeira a máxima de que a história se repete, desta feita potencializada com novos instrumentos que a modernidade bélica disponibilizou.
O desprezo pelos fóruns internacionais, conquista da civilização, como importante mecanismo da interação global na tentativa de adequar regras, modelos de gestão a um cenário globalizado, ao multilateralismo, unificando estratégias na busca da paz e dos princípios humanitários que deveriam prevalecer para efeito do bem comum.
Outrossim, praticando a utópica esperança de que o mundo possa mudar, pelo menos para uma longeva coexistência terrena, apostamos na observação de que “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”.
Por incrível que pareça no âmbito da alternância de poder observada em decorrência dos processos democráticos de renovação ainda em voga, ou mesmo pelas limitações ditadas pela idade dos governantes ou em decorrência do “basta” da comunidade global, insatisfeita com o que vivencia, comprometendo o hoje e principalmente o amanhã da humanidade, são situações que podem surpreender acelerando o tão sonhado processo de mudança, quem sabe para melhor.
É preciso responder ao ódio com amor, que essa onda de perversidade passe ao largo do nosso querido e pacífico Brasil, reino de carnaval e da alegria de viver, em comunhão com os de dentro e os de fora, aos que sofrem por miséria, doenças e perseguições, melhor do que matá-los na fuga ao destino é tentar salvá-los na origem, investindo em parcerias e novas oportunidades de sobrevivência, terminamos aludindo a icônica música de Lulu Santos e Nelson Mota, magistralmente interpretada por Tim Maia, “Como uma onda no mar, na vida tudo passa, tudo sempre passará”.
Se Deus quiser, é o nosso desejo, extensivo a todos que compartilham o universo do bem.
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