Qui, 11 de Junho

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opinião

Recife e eu

Naquela manhã chuvosa de julho de 2010, apesar da frieza do clima geográfico, senti na pele, em contraste com as condições climáticas, o calor humano com quem fui recebido na Terra de Nabuco.

A Rua Salvador de Sá, assim como grande parte das ruas da cidade (com seus alagamentos urbanos de dias), recebia-me naquela manhã, com uma graça pluvial, que anualmente nos é enviada dos céus, como resposta divina ao clamor humano contra a maledicência do forte calor que antecede ao espetáculo benfazejo das chuvas.

Logo de cara, o nome da Rua já revelava os aspectos históricos da cidade, o que mais tarde fui conhecendo melhor e constatando que Recife se insere no rol das mais importantes referências culturais do País.

Confesso que, para “quem vem de um sonho feliz de cidade”, como disse Caetano, em “Sampa”, aprendi de pressa a chamar-te de realidade, pois assim como meu conterrâneo Belchior, eu era “apenas um rapaz latino americano”, sem parentes importantes.

Foi um começo bem difícil de ser assumido e enfrentado. Sophia com poucos meses de nascida. E eu, com os titubeios naturais de quem sai de sua Terra para outras “andanças e marinhagens” (no dizer do Poeta cearense, Linhares Filho.

O acalento era o de quem estava vindo assumir não somente um cargo público, mas o de realizar um sonho, com todas as nuanças de fascínio, a que se tem de direito, depois de um era quase prisca de espera e de incertezas no porvir de então.

Mas era hora de deixar o passado e a “velha roupa colorida”, e encarar os novos desafios que me esperavam. 
Eu só não contava com a astúcia (não de Chapolin Colorado), mas do recifense, que entrou nesse novo curso de vida comigo, fortalecendo-me como um soldado à frente da batalha, guarnecido pelos que lhe dão cobertura.

Nesse momento, constatei o que ouvi dos discos paternos, o que cantava o José Augusto (sergipano), com sua linda “Exaltação ao Norte”, acerca da hospitalidade do pernambucano.

Tive a boa fortuna de ser recepcionado, tanto na moradia, como na labuta diária, por amigos, cuja felicidade em
conhecê-los fazem a diferença até presentemente.

Passados mais de 15 anos, é inevitável não se sentir pertencente à Cidade, como uma extensão de todo o viver de outrora.



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