"Será como eu quero por bem ou por mal"
Enquanto parte da humanidade consegue milagrosamente juntar interesses europeus e sul-americanos, depois de mais de vinte anos de discussões, econômicas, geopolíticas e desafios diplomáticos sem precedentes, na busca do civilizado multilateralismo democrático.
Por outro lado, candidatos ao Nobel da Paz deixam claro que o futuro próximo será como eles querem, por bem ou por mal, exercício do famoso “quero, posso e mando” à revelia do arcabouço legal regulatório da interação pacífica entre os povos ditos civilizados.
Com efeito, o recém-assinado acordo Europa/MERCOSUL, contemplando cerca de oito por cento da população global, contabilizando valor envolvido da ordem de vinte e dois trilhões de dólares, talvez por ironia do destino ou mesmo como divina providência, tenha encontrado o melhor momento para viabilizar-se como providencial reação à contrapartida bélica, agressiva, desprovida de bom senso dos poderosos autointitulados “donos do mundo” patrões de tudo e todos, indiferentes às trágicas lições do passado.
Ansiosos para repetirem feitos desprovidos de quaisquer princípios humanitários ou legais, como se os terceiros, habitantes do mesmo planeta Terra não tivessem qualquer direito senão na condição de frágeis inquilinos, sujeitos a inusitadas surpresas de despejos de seus espaços residenciais historicamente consolidados, “se quiserem vender eu compro, mas se não quiserem eu tomo”, essa é a regra.
Na disputa de última geração entre o multilateralismo e o unilateralismo que estamos assistindo, evidencia o contraste de sentimentos que permeiam a relação entre os povos. Marcado nos dias de hoje, de um lado pelo egoísmo dos superdotados e de outro pelo ingênuo altruísmo dos que a duras penas ainda apostam na empatia de respeito e consideração como condições para a sobrevivência no espaço comum.
Por tudo isso, talvez seja necessário chamar atenção para a constrangedora evidência de que a problemática global na interface entre gregos e troianos seja consequência de distúrbios psíquicos há muito detectados pelo gênio em mazelas do gênero, o famoso alemão Sigmund Freud.
Para mais uma vez no andar da carruagem ajudar no diagnóstico do magno transtorno que a humanidade enfrenta, bem como na melhor maneira de tratá-lo, ainda que pacificamente como é de todo recomendável na assistência aos inimputáveis, vítimas da triste e perigosa insanidade mental, que vez ou outra ao longo dos séculos acomete os poderosos donos da verdade e da razão.
O curto decurso de tempo entre o desvario da 2ª guerra mundial e o ensaio de hoje, na tentativa de repetir o insano fenômeno, liderado pelos novos desajustados, para os quais a ironia do destino entregou o leme de nossa nau desgovernada. Não foi suficiente como alerta global para a tomada de providências, ainda que pacífica. Para evitar a 3ª catástrofe que se insinua a cada dia para a humanidade perplexa, “o rei está nu!” e ainda não percebeu.
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