Ter, 10 de Fevereiro

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opinião

Um não hoje pode ser um salto para o futuro

Há dias em que o mundo parece um porteiro mal-humorado. Olha a gente de cima a baixo e diz não. Um não seco. Sem explicações. Em 2009 um rapaz ouviu isso ao bater na porta de uma rede social que ainda aprendia a ser adulta. Disseram que não havia vaga. O rapaz foi para casa com o bolso vazio e a cabeça cheia. Cinco anos depois ele voltaria à mesma casa. Não para pedir emprego. Para vender um aplicativo por 19 bi de dólares. A casa comprou. Pagou à vista. O porteiro sorriu.

Isso mesmo, esta a história de Brian Acton, um programador, empreendedor, e filantropo americano. Acton é chairman da Signal Foundation, que ele cofundou com Moxie Marlinspike em 2018. Acton foi empregado do Yahoo!, pediu emprego ao Facebook e foi rejeitado. Cofundou o WhatsApp, um mensageiro instantâneo adquirido pelo Facebook em fevereiro de 2014 por 19 bilhões de dólares.

O mundo tem esse gosto pelo paradoxo. O não de hoje pode ser o ensaio geral do sim de amanhã. A pergunta que vale não é por que recusaram. A pergunta mais incômoda é o que fazemos depois da recusa. Há quem transforme o não em epitáfio. Há quem o use como adubo. A diferença não está no talento apenas. Está na disposição de conversar com a própria derrota.

Somos educados a buscar respostas prontas. Mas as mudanças importantes começam com perguntas mal formuladas. Será que eu quero mesmo entrar por essa porta. Será que a casa é minha. Será que o caminho lateral não me ensina mais. Pensar assim não consola. Incomoda. E é esse incômodo que move.

O tempo gosta de ironia. Ele pega as negativas e as devolve com juros. O mundo não muda por pena. Muda por insistência. Oportunidade não é um convite elegante. É uma fresta. Quem passa por ela quase sempre chega arranhado.

Um gerente de rádio disse que eu não estava “pronto” para a emissora dele. Os anos passaram, fui para TV, depois jornal e abri um semanário que deu certo em Uberlândia (MG). Três anos depois, desempregado, o ex-gerente me procurou pedindo emprego. Claro, o aceitei dentro de um acordo bom para os dois e, certo dia ele me disse que tinha se arrependido quando não me contratou e eu, bom, agradeci por ele não ter me contratado, senão tinha ficado estagnado.

Lembre-se disso quando o não aparecer com ar definitivo. Todo não pode ser o início de um grande sim. Desde que alguém tenha coragem de continuar perguntando e andando.
 



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