Oposição pode federalizar caso de morte de Morato

Deputados ameaçam recorrer ao MPF e à PF diante do silêncio do governo sobre suspeitas

Banda Eddie é uma das atraçõesBanda Eddie é uma das atrações - Foto: Divulgação/Beto Figueiroa

Imediatamente após o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) denunciar supostas irregularidades nas apurações sobre a morte de Paulo César Barros Morato, considerado um dos "testas de ferro" do esquema investigado pela Operação Turbulência, a oposição na Assembleia Legislativa promete ir a fundo nas cobranças e investigações sobre o caso. A bancada antagonista pretende federalizar as suspeitas de obstrução nos trabalhos da Polícia Civil, e vai entrar com pedidos de investigação no Ministério Público Federal (MPF) e na Polícia Federal, caso o Governo do Estado não preste esclarecimentos consistentes sobre o caso. Nesta segunda-feira (27), os oposicionistas farão um pedido de esclarecimentos ao secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, com cópia ao governador Paulo Câmara. O prazo para que as demandas sejam esclarecidas é curto: eles aguardam a resposta ainda nesta segunda. Sem prorrogação.

"Trata-se de uma nota muito dura do Sinpol e é preciso uma relexão sobre esse posicionamento. Nós esperamos que o Governo do Estado se pronuncie sobre esse processo até amanhã [segunda-feira]. Se isso não ocorrer, vamos acionar o Ministério Público Federal e Polícia Federal para que esse processo seja tratado da forma mais transparente possível, porque a sociedade cobra explicações sobre o caso", afirmou o líder da bancada da Oposição, Silvio Costa Filho (PRB).

O deputado estadual Edilson Silva (PSOL) afirma que o silêncio do Palácio das Princesas torna as acusações ainda mais comprometedoras. "Se o sindicato está faltando com a verdade, cabe ao governador uma intervenção. O silêncio significa que o governador não tem nada a dizer, está assumindo que é verdade o que estão dizendo. Não vamos aceitar o silêncio. Se a denúncia não for refutada, vamos federalizar. Vamos exigir esclarecimentos e a continuidade das investigações", cobrou.

Maneira abrupta

Segundo o parlamentar, a primeira providência a ser tomada é a cobrança da continuidade das investigações que, ainda de acordo com Edilson, foram encerradas de maneira abrupta. "Na medida que vemos o caso ser esclarecido por meio do trabalho da Polícia Federal, vemos uma das figuras chaves do esquema encontrada morta. Encontrar o corpo dele em Olinda, ver as investigações serem encerradas abruptamente e ter na sequência uma denúncia grave do sindicato dos policiais civis é um escândalo", bateu.

O assunto deverá ser levado pelos oposicionistas ao plenário hoje. Segundo Costa Filho, o envolvimento de quadros do PSB na Operação Turbulência exige esclarecimentos do Palácio das Princesas. Um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo diversas empresas fantasmas teria financiado as campanhas do ex-governador Eduardo Campos em 2010 e 2014. "Todos nós, pernambucanos, estamos perplexos com a Operação Turbulência e a bancada da oposição irá acompanhar de forma permanente os esclarecimentos que precisam ser dados a esse processo, que, segundo a própria delegada federal, envolve quadros do PSB", apontou.

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