Orçamento da UFPE para 2026 é ampliado para R$ 183,4 milhões com recomposição do governo federal
Valor supera o investimento de 2025 para a instituição, de R$ 179 milhões
O orçamento da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para 2026 foi ampliado para R$ 183,4 milhões. O novo valor, anunciado como parte da recomposição orçamentária do governo federal na última terça-feira (20), supera o investimento de 2025 para a instituição, de R$ 179 milhões.
A recomposição orçamentária vem depois de diversas críticas e cobranças ao governo federal. No fim de dezembro do ano passado, o reitor da UFPE, Alfredo Macedo Gomes, afirmou que esperava para 2026 um corte de aproximadamente R$ 14 milhões.
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Com o anúncio, no entanto, o governo tenta sanar as dificuldades que as instituições federais de ensino vêm sofrendo nos últimos anos. Ao todo, serão destinados R$ 488 milhões a mais no orçamento das universidades.
Na UFPE, o orçamento previsto aprovado inicialmente foi de R$ 174,8 milhões. Com a recomposição, o valor subiu em quase R$ 10 milhões.
Universidade Federal de Pernambuco. - Foto: Paullo Allmeida/Folha de PernambucoRelevância para a pesquisa científica
Em comunicado oficial, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) destacou a importância da recomposição.
Segundo a associação, as universidades federais são responsáveis por mais de 90% da produção científica nacional, além de desempenharem papel estratégico na formação profissional, na redução das desigualdades e promoção da inclusão social.
"O anúncio da recomposição do orçamento das universidades federais é uma decisão de grande relevância, que reafirma o compromisso do Governo Federal com a educação pública, com a ciência e com o futuro do nosso país", afirmou o presidente da Andifes, reitor José Geraldo Ticianeli, da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
Histórico de cortes e incertezas em Pernambuco
Não é de hoje que as universidades federais de Pernambuco convivem com incertezas e cortes drásticos de orçamento. Um episódio marcante foi em maio de 2024, quando reitores de todas a instituições se reuniram para alertar que precisavam de R$ 437 milhões para não fechar ano no vermelho.
À época, eles explicaram que as instituições sofrem cortes consecutivos, com ápice em 2016. Para se ter uma ideia, entre 2014 e 2024, o déficit de orçamento para as universidades federais do estado era de R$ 126 milhões.
Por mais que o orçamento esteja crescendo com a recomposição tão esperada, a incerteza pode persistir. Em julho do ano passado, por exemplo, o reitor da UFPE chegou a anunciar que seria preciso realizar cortes para garantir o funcionamento da instituição até o fim de 2025.
“Só temos orçamento previsto até outubro de 2025”, relatou Alfredo, à época.
A verba afeta os milhares de estudantes do estado, mas não é apenas uma realidade pernambucana. O dinheiro é revertido para manutenção dos campi, pagamento de bolsas de auxílio, alimentação dos alunos e pesquisadores, além de pagamento de funcionários e investimento em melhoria da qualidade de ensino.
Como funciona a recomposição
A recomposição integral do orçamento chega ao valor de R$ 977 milhões. O crédito suplementar para o Ministério da Educação é destinado ao custeio, bolsas de pesquisa e financiamento de obras em universidades e institutos federais.
Os recursos serão divididos da seguinte forma:
- R$ 332 milhões: para as universidades federais (para o custeio, como o pagamento de contas como luz, água, segurança, etc.);
- R$ 156 milhões: para os institutos federais (ensino técnico e profissional);
- R$ 230 milhões: para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), destinados especificamente a bolsas de apoio às pesquisas na graduação e na pós-graduação.

