Orla do Recife tem movimento intenso neste domingo

Quantidade de pessoas não chegou a mesma de um fim de semana normal, mas estava longe do ideal para prevenção do coronavírus

Praia de Boa ViagemPraia de Boa Viagem - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O segundo domingo após as medidas restritivas adotadas pelo Governo do Estado para combater o novo coronavírus foi marcado por movimento intenso na praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A quantidade de pessoas não chegou a mesma de um fim de semana normal, mas estava longe de uma situação considerada ideal para a prevenção da proliferação da doença na cidade. Já nos principais parques da cidade, as pessoas vão, pouco a pouco, retornado à rotina.

Em vários pontos da orla foi possível ver a população fora de casa, seja pedalando na ciclofaixa, caminhando no calçadão, correndo na faixa de areia ou tomando banho no mar, diferente do encontrado no fim de semana passado, poucos dias após as primeiras recomendações de isolamento social.

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Há cerca de duas semanas um decreto estadual determinou que esses espaços só podem ser utilizados para práticas esportivas, mas é necessário respeitar a distância mínima de 1,5 m entre as demais pessoas. Também foram proibidas aglomerações com mais de 10 pessoas. No dia 21 de março, quando a determinação entrou em vigor, praias e parques ficaram desertos na Capital. No entanto, com o passar dos dias a população tem abandonado as recomendações e saído às ruas.

No parque da Jaqueira, o clima chuvoso não intimidou alguns frequentadores. Além dos praticantes de exercício físico, uma família deu uma passada rápida no parque para realizar alguns registros da filha, que está prestes a completar três anos. Micaela Regueira, 25, mãe da criança, conta que aproveitou o vazio do parque para fazer as fotos. “Nesses tempos, a gente tem evitado o contato físico e aglomerações. Viemos aqui, mas já estamos de saída. Todo cuidado é pouco”, afirmou Micaela. No parque da Macaxeira, alguns grupos brincavam e ensaiavam uma coreografia, mas sem muita aglomeração. Dentre os que estavam ali porque optaram, o seu Pedro Roberto, vigilante do local, relata a diferença da movimentação nesse período. “Isso aqui dia de domingo é lotado de crianças. Hoje, com essa quarentena, está esse vazio, mas a gente sabe que é importante”, contou o senhor, que tem 75 anos. Ele fez questão de mostrar que anda com o seu pequeno tudo de álcool gel para todos os lugares. “Eu trouxe um para cá e ando com um sempre no bolso. Não posso descuidar. Lá em casa, moro com meus filhos e minha esposa, que também é idosa”, completou

Os aparelhos públicos de ginástica da orla recifense e os brinquedos dos parques permanecem isolados por fitas. No Pina também havia pessoas, mas uma quantidade menor do que a praia vizinha. Situação semelhante pode se ver no Buraco da Velha, localizada em Brasília Teimosa. Poucas pessoas se aventuraram a sair de casa e aproveitar o domingo ensolarado no local. Por lá, um carro de som alertava a população sobre o perigo do vírus e a importância de obedecer as medidas de isolamento social. Bares e quiosques que normalmente ficam lotados estavam todos fechados.

Ao longo da manhã, uma equipe da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano (Semoc) do Recife fez um trabalho de conscientização nas praias do município. "Estamos orientando as pessoas para que evitem aglomeração, não tragam cadeira e guarda-sol. Estamos observando se tem ambulantes e comerciantes atuando na orla. Começamos às 6h30 e encontramos algumas irregularidades, como uma mini festa na areia com mais de dez pessoas", disse o fiscal da Semoc Rogério Francisco.

Na praia as opiniões se dividem entre quem concorda com a quarentena e quem discorda. Contudo, todos afirmam que ao sair de casa tomando medidas preventivas contra o contágio, como manter a distância de segurança recomendada. "Eu acho o isolamento necessário neste momento, mas deveria haver um trabalho maior de conscientização da população", disse o administrador de empresas André Carneiro Leão, 58. "Acho arriscado fechar tudo de uma vez. O governo deveria fazer uma avaliação mais sensata para não afetar a população mais pobre que está sem poder trabalhar”, falou o contabilista Renato Pedrosa, 60.

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