Os 106 anos de Gonzagão e os 50 do Ato Institucional 05

Luiz Gonzaga foi o maior intérprete musical do Nordeste em todos os tempos

Inaldo SampaioInaldo Sampaio - Foto: Colunista

Foi num 13 de dezembro como hoje que nascia em Exu, há 106 anos, o “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga, o maior e melhor divulgador da cultura nordestina em todos os tempos através de sua sanfona e de sua voz. Foi também nesse mesmo dia, há 50 anos, que o Conselho de Segurança Nacional, à frente o general Arthur da Costa e Silva, o segundo do ciclo militar, promulgava o Ato Institucional nº 5, o mais draconiano diploma legal da ditadura para proteger a nova ordem, que se instalara no país após a derrubada do presidente João Goulart em 1964. O Ato, que vigorou durante 9 anos e 10 meses, dava plenos poderes ao presidente da República para fechar o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas, cassar mandatos parlamentares, aposentar ministros dos tribunais superiores e professores universitários, suspender a concessão de habeas corpus, etc. Tudo porque a Câmara Federal negara um pedido de licença para processar o deputado Márcio Moreira Alves (MDB-RJ), que num discurso infantil perguntara da tribuna “quando não será o Exército Brasileiro um valhacouto de torturadores?”. Por causa desse discurso tresloucado, a pena imposta ao país foi dolorosa demais, com cerca de 500 vítimas dos dois lados - torturadores e torturados. Por isso, hoje, não se deve deixar passar em brancas nuvens os 50 anos deste Ato, para que a ditadura não volte nunca mais, sem esquecer de lembrar também o aniversário do “Rei do Baião”, que imortalizou em suas músicas tudo que existe de bom e belo no Nordeste - dos seus pássaros aos seus rios, de sua culinária aos seus líderes religiosos, de suas cidades ao seu folclore, de suas manifestações culturais aos seus mitos.

“Seu filho é comunista”
A pedido de Luiz Gonzaga, que era fã do regime militar, o então senador Marco Maciel agendou um encontro dele com o presidente João Figueiredo. Mas logo que entrou no gabinete presidencial o “rei do baião” teve uma surpresa desagradabilíssima. O general reclamou dele dizendo que seu filho, Gonzaguinha, “além de comunista, anda falando mal do meu governo”.

Na oposição > Apenas em 1970, o “Rei do Baião” fez campanha política para um candidato da oposição ao regime militar - o então senador José Ermírio de Moraes, que disputou a reeleição por Pernambuco e foi derrotado pelos candidatos da Arena Paulo Guerra e Wilson Campos.

O contraste > Humberto Costa (PT) visitou no Uruguai o ex-presidente Pepe Mujica, que mora num sítio sem qualquer luxo e cujo único automóvel é um fusca velho. Deve ter-se lembrado de seu ex-colega de ministério, Antonio Palocci, que mora num apartamento de R$ 8 milhões, em SP, adquirido com dinheiro roubado.

Não deu > Por causa de problemas de agenda, o ministro Gilberto Occhi (Saúde) cancelou a visita que faria hoje à cidade de Paulista. Na véspera, o prefeito Júnior Matuto (PSB) anunciou a instalação de 50 câmaras de videomonitoramento nos bairros a fim de deixá-los mais seguros.

O protesto > Sem receber salário há 5 meses, terceirizados da Secretaria de Saúde têm todo o direito de protestar contra o Governo do Estado. Mas o protesto deveria ser feito em frente ao Palácio do Governo, e não do Hospital da Restauração, infernizando a vida de milhares de pessoas.

O socorro - Sérgio Moro ouviu queixas dos governadores, ontem, sobre a calamitosa situação de segurança em seus estados, mas nada poderá fazer para ajudá-los, pelo menos em curto prazo. Vai cuidar primeiro do governo Bolsonaro, do qual será superministro da Justiça.

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