Outubro Rosa: avanços no tratamento reduzem complicações

Evolução no combate ao câncer de mama tornou os procedimentos menos agressivos, facilitando a continuidade do tratamento

Ieda Antunes, que teve câncer de mama há 2 anos.Ieda Antunes, que teve câncer de mama há 2 anos. - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Além de lidar com o tabu em volta da prevenção e diagnóstico do câncer de mama, muitas mulheres ficam receosas com as consequências do tratamento. Contudo, não se pode ignorar que, nos últimos anos, houve uma grande evolução nos métodos de combate à doença. Para escolher o melhor tratamento, levam-se em consideração diversos fatores, como características do tumor, idade da paciente e número de linfonodos axilares comprometidos. Atualmente, as cirurgias costumam ser menos invasivas. Para a maioria dos casos, inclusive, a mutilação tornou-se coisa obsoleta.

De acordo com a mastologista Denise Sobral, do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP), os casos de câncer de mama são separados em iniciais, que não afetam outros tecidos e são tratados de forma mais conservadora, e avançados. "Entre eles existem vários tipos de tumores diferentes e cada um deles tem um tratamento adequado para cada paciente. Agora, em média, os sintomas, alterações cirúrgicas duram um mês, que é quando a cicatrização de completa. Os sintomas da quimioterapia dura até uma semana. Mas isso é variável de paciente para paciente", disse.

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Na luta contra o câncer de mama

A especialista ressalta que o tratamento do câncer de mama é a única forma de viver. "Depois do diagnóstico de câncer não existe outra forma de manter a vida se não for com um tratamento bem feito, dentro dos protocolos já existentes", disse. Quem entendeu bem essa mensagem foi Janine Guerra do Nascimento, de 47 anos, que há duas décadas foi diagnosticada com tumor no seio. Na época ela precisou fazer a retirada da mama direita, além de passar por quimioterapia e radioterapia. Quatro anos após a cura, apareceram novos tumores no seio esquerdo e ela precisou passar novamente por todo o processo.

"Foi muito sofrido. A medicação me causava bastante enjoo, insônia. Apesar das dificuldades, nunca pensei em interromper o tratamento e desistir, mas em viver. O medo pode até surgir, mas o importante é ser otimista, ter pensamento positivo e encarar esse processo de cabeça erguida", disse. Janine conta que o apoio da família e amigos foi fundamental para superar as dificuldades processo de cura. "Costumo dizer que o câncer não veio para a morte, mas para uma vida de qualidade", acrescentou. Há 19 anos, ela trabalha como voluntária no Hospital de Câncer ajudando outras mulheres que passam por situações semelhantes a dela.

O oncologista Rogério Brandão ressalta que para ter um tratamento mais eficiente e menos agressivo é importante a mulher fazer exames de prevenção, como a mamografia, pois quanto mais precoce o diagnóstico maiores são as chances de cura. "Quando a doença é descoberta no grau 1 as chances de cura são de mais de 95%. Quando é descoberta no grau 4 a possibilidade de cura cai para 30%", disse. Ele conta que cerca de 40% dos diagnósticos do câncer de mama ocorrem em mulheres antes dos 50 anos, por isso é preciso fazer exames preventivos já após os 40 anos.

Psicólogo

O tratamento de um câncer sempre é um grande processo de transformações, segundo a psicóloga Josie Zecchinelli. "Vem uma série de medos, inseguranças e toda uma adaptação a uma nova realidade, um certo cenário de descontrole, pois não se sabe como o processo vai seguir. A cada situação que vai melhorando ou piorando temos novas alterações emocionais que vão se agregando", comentou a especialista em psicologia da saúde .

Segundo a psicóloga quando se fala de adaptação, leva-se em consideração não apenas os sofrimentos, mas também conseguir aceitar ou não a nova realidade. "Muita gente chama de luto simbólico ou até real quando há uma perda física de parte do corpo. Temos muita complexidade emocional e o apoio psicológico pode ser fundamental tanto para suportar as pressões e cargas emocionais ao longo do tratamento, como para conseguir fazer melhor tomada de decisões, melhorar resiliência de forma geral", comentou.

Josie Zecchinelli destaca que nossa cultura ainda é muito pautada em estar no desespero para procurar apoio. Normalmente, as pacientes buscam apoio psicológico quando já está muito traumatizada e o câncer está em estágio avançado. "Infelizmente, muitas vezes famílias, amigos e até profissionais de saúde não estão preparados para lidar com esta situação. O apoio psicológico pode ocupar esse lugar de acolhimento e suporte emocional", disse a especialista.

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