Outubro Rosa: quais os fatores de risco para o câncer de mama?

Embora haja avanços no diagnóstico e tratamento, não há uma causa específica para a doença. Fatores genéticos e não-hereditários podem desencadear esse tipo de tumor

Fatores comportamentais e reprodutivos estão entre as causasFatores comportamentais e reprodutivos estão entre as causas - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

O câncer de mama afeta, anualmente, 2,1 milhões de pessoas no mundo. Os dados são da Agência Internacional de Pesquisa para o Câncer. As estatísticas mostram uma crescente anual em relação ao número de casos, principalmente, nos países desenvolvidos economicamente.

Embora haja avanços no diagnóstico e tratamento, não há uma causa específica para a doença. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), existe um conjunto de fatores que podem desencadear neste tipo de câncer, como idade, fatores endócrinos/história reprodutiva, fatores comportamentais/ambientais e fatores genéticos/hereditários. A melhor recomendação dos médicos ainda é o diagnóstico precoce, com a manutenção dos exames preventivos em dia.

Médico detalha os fatores de risco para o câncer

Médico detalha os fatores de risco para o câncer - Crédito: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Um dos estigmas comuns em relação à doença é sobre sua prevenção. Como o câncer de mama possui várias causas, não há um fator único preventivo. Segundo João Esberard, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia - Regional Pernambuco (SBM) e professor da Universidade de Pernambuco, a enfermidade pode ser dividida em duas origens: “O câncer pode ser hereditário ou não-hereditário. No primeiro caso, como foi o da atriz Angelina Jolie, atinge uma pequena parcela dos casos totais, chegando a 10%. O não-hereditário é o dividido nos fatores reprodutivos e ambientais, que são ligados ao comportamento das pessoas”, explica o mastologista e professor.

De acordo com João Esberard, os fatores endócrinos ou reprodutivos estão ligados ao estímulo estrogênico, que fazem parte do ciclo sexual da mulher. “São as mulheres que tiveram uma menstruação precoce, com menos de 12 anos. Ou que teve uma menopausa tardia (acima dos 55 anos). A gente diz que houve um bombardeio de estrogênio, porque essas mulheres ciclaram demais (tiveram muitas menstruações durante a vida). Tem as mulheres que nunca amamentaram ou também aquelas que fizeram uso de anticoncepcionais. Essas pílulas também são consideradas fatores de risco”, afirma o mastologista.

Para além das questões reprodutivas, há fatores ambientais e comportamentais que incentivam o desenvolvimento do câncer de mama. Órgãos como o INCA, Sociedade Americana de Oncologia e agências de pesquisa apontam que obesidade, rotinas de estresse, tabagismo, álcool e sedentarismo aumentam as chances do aparecimento da doença nas mulheres. Em contrapartida, atividades físicas e redução no consumo de carne vermelha, por exemplo, reduzem esses riscos. Uma mulher que pratica três horas de corridas semanais tem uma redução de 40% nas chances de ter este tipo de câncer.

Já um estudo inédito, realizado no Hospital do Câncer de Pernambuco (HCP), aponta a obesidade e o sobrepeso como maiores fatores de risco para pacientes com câncer de mama. De autoria da nutricionista oncológica Andréa Barros, a pesquisa analisou o perfil de 300 mulheres, entre 18 e 60 anos, no período pré-operatório da enfermaria. Ela confirmou a prevalência desta forma física nas pacientes com referência na Organização Mundial de Saúde (OMS-1995). Foram excluídas do estudo pacientes fora da faixa etária analisada, acamadas e lactantes. Neste processo, nenhuma das pesquisadas era desnutrida.

Segundo a pesquisa da nutricionista, 48% das pacientes estavam com sobrepeso e 44% tinham variadas formas de obesidade. Apenas 10% tinham o índice corporal dentro do recomendável. “A pesquisa basicamente foi basicamente entender se a obesidade ou sobrepeso tinham relação com o câncer de mama. Quando fui analisar as pacientes percebi que muitas delas estavam acima do peso. E mulheres que eram abaixo da idade de risco. Com 35 anos e o peso elevado”, diz Andrea Barros.

Genética

Em relação às mulheres com histórico familiar, o acompanhamento é feito de forma mais frequente. Em 10% dos cânceres de mama, há uma predisposição genética, principalmente, com a alteração dos genes BRCA1 e BRCA2. Nestes casos, as pacientes podem realizar uma mastectomia preventiva, retirada de ovários e até uma quimioprevenção, como se fosse uma vacina contra o câncer de mama.

“Ao realizar um teste genético, é possível identificar se existe uma mutação dos genes associados a este tipo de câncer, como o BRCA1 e BRCA2. Ao verificar esta alteração e a existência do risco, pode-se estabelecer um plano de vigilância, diferente do adotado pela população normal, no qual a mulher irá realizar anualmente ressonâncias magnéticas e mamografias desde idade precoce”, disse o médico imunologista e geneticista João Bosco Oliveira, sócio-fundador da Genomika Diagnósticos e diretor de genética do Hospital Albert Einstein.

"Ninguém está preparado para receber o diagnóstico"

Ieda superou o câncer com leveza e novo olhar para a vida

Ieda superou o câncer com leveza e novo olhar para a vida - Crédito: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Nenhum dos fatores de risco para o câncer de mama faziam parte da rotina da administradora Ieda Antunes, de 59 anos, quando ela descobriu a doença, em 2017. Durante toda a vida, ela já havia retirado três nódulos benignos, mas nunca tinha passado por sua cabeça que teria a doença algum dia. “É muito difícil receber o diagnóstico. Quando eu fiz o exame, a médica já tinha alertado que não tinha gostado que tinha visto. Então, quando recebi o resultado, quinze dias depois, eu tinha quase certeza. Ninguém está preparado para o diagnóstico. Para as pessoas é como se você tivesse recebido uma sentença de morte. Há um abalo muito forte da família também”, relata.

Embora o emocional tenha ficado fragilizado, Ieda tentou se tranquilizar em relação à doença. “É lutar ou se entregar. Eu decidi lutar. Dois dias depois do diagnóstico, eu olhei para o espelho e falei: ‘procurou a pessoa errada” (para o câncer)”. Depois do diagnóstico, ela passou por seis ciclos de quimioterapia, 28 sessões de radioterapia e por cirurgias. “No meio da quimio, eu tive uma queda na imunidade e passei 14 dias no hospital com uma infecção respiratória. Foi um dos momentos mais difíceis”, comenta Ieda.

Durante o processo, ela diz que contou com o apoio dos filhos e do marido. “Ele foi meu enfermeiro, foi meu tudo”. Apesar da fragilidade deixada por todo o tratamento, ela comemora como vê o outro lado da vida. “Hoje faço acompanhamento com mastologista, oncologista e hematologista. Eu passei a enxergar a vida de outra forma, com mais leveza, as pessoas com mais paciência e saber do lado bom. Não adianta a gente se preocupar com algo que a gente não sabe. É um dia de cada de vez”, conta Ieda Antunes.

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