Pacientes curados viram maioria na Áustria após 4 semanas de quarentena

Islândia, Liechtenstein e Albânia, todos na Europa, também têm mais curados, mas suas populações são pequenas

Palácio de Schönbrunn, em Viena, na ÁustriaPalácio de Schönbrunn, em Viena, na Áustria - Foto: Priscilla Aguiar/@ahvamosviajar

A Áustria se tornou neste domingo (12) um dos primeiros países depois da China a registrar mais pessoas recuperadas da Covid-19 (doença causada pelo coronavírus) que a soma de doentes e mortos.

Islândia, Liechtenstein e Albânia, todos na Europa, também têm mais curados, mas suas populações são pequenas (364 mil, 35 mil e 38 mil, respectivamente).

Com cerca de 8,5 milhões de habitantes, a Áustria informou que 6.987 pessoas se recuperaram da doença no país desde que o primeiro caso foi registrado, em 26 de fevereiro. Os mortos são 350 e os ainda doentes, 6.608.

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Criticado por vizinhos por ter ajudado a espalhar o coronavírus ao ignorar avisos de um cluster numa estação de esqui no começo de março, o país reagiu rapidamente depois que a Itália decretou quarentena, em 10 de março.

No mesmo dia, a Áustria suspendeu eventos públicos; fechou escolas cinco dias depois e determinou que ninguém saísse de casa a não ser para atividades essenciais no dia 16 de março. A primeira morte por Covid-19 aconteceu no dia 12.

Na semana passada, o governo austríaco anunciou a reabertura nesta terça (14) de lojas não essenciais pequenas (até 400 metros quadrados). Haverá limite de no máximo uma pessoa por 20 metros quadrados, e o uso de máscaras será obrigatório.

Em 1º de maio, todas as lojas devem ser reabertas; escolas, restaurantes e hotéis, apenas em meados do mês. Eventos públicos ficarão suspensos pelo menos até o final de junho, e viagens podem ficar proibidas até que haja uma vacina viável.

O governo deixou claro que acionará um "freio de emergência" para parar ou mesmo reverter o relaxamento, se houver um repique importante do contágio.

A Áustria foi um dos primeiros países a fazer um estudo com amostragem aleatória (que evita distorções) para estimar a taxa de contaminação pelo coronavírus no país.

O resultado –entre 0,12% e 0,76% da população infectada– mostra que não faz sentido adotar no longo prazo a estratégia de "imunidade de rebanho" (quando a parcela de imunizados atinge cerca de 60%, reduzindo significativamente a velocidade de transmissão).

A saída austríaca vai se basear em monitoramento constante e sintonia das medidas de isolamento social e confinamento, que serão relaxadas e reapertadas de acordo com a evolução da doença.

O Ministério da Saúde fará um programa constante de testes por amostragem aleatória tanto do coronavírus quanto de anticorpos, para ajudar a calibrar de forma mais precisa as políticas públicas para conter a transmissão.

Casos confirmados de coronavírus serão isolados, e os contatos, monitorados. Um aplicativo desenvolvido pela Cruz Vermelha ajudará a rastrear quando e com quem cada pessoa se encontrou a cada dia, para avisar os contatos quando alguém for infectado. O aplicativo será de uso voluntário.

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