Padrasto acusado de assassinar Maria Alice Seabra deve ser julgado pelo júri popular

Caso seja condenado, Gildo da Silva Xavier pode pegar de 25 a 56 anos de prisão

Maria Alice Seabra foi morta pelo padrastoMaria Alice Seabra foi morta pelo padrasto - Foto: Reprodução/Facebook

O acusado pelo assassinato da jovem Maria Alice de Arruda Seabra Amorim, ocorrido no dia 19 de junho de 2015, irá a Júri Popular. A decisão de pronúncia do acusado pelo homicídio foi firmada pelo juiz José Romero Maciel de Aquino, da Vara Única de Itapissuma, na Região Metropolitana do Recife (RMR). O acusado de assassinar, estuprar e espancar a jovem de 19 anos é o próprio padrasto da vítima, o auxiliar de pedreiro Gildo da Silva Xavier, 34 anos.

O réu ainda pode recorrer da decisão. Devido à possibilidade de recurso, o julgamento ainda não tem data definida, mas deve ser realizado na comarca de Itapissuma segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Segundo a denúncia, a pretexto de levar a vítima para uma suposta entrevista de emprego, o padrasto conseguiu fazer com que ela entrasse em um veículo Gol, que havia locado na cidade de Gravatá, Agreste do Estado, e partiu em direção à cidade de Paulista (RMR) pela rodovia BR-101 Norte. Na época, a delegada Gleide Ângelo, que fazia parte do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e era a responsável pelas investigações, chegou a afirmar que Gildo Xavier teria premeditado o sequestro, estupro e assassinato de Maria Alice, por quem nutria uma obsessão.

O homem teria afirmado em depoimento à Polícia Civil que havia forçado Maria Alice a tomar Rupinol, droga popularmente conhecida como “Boa Noite Cinderela”. De acordo com o TJPE, o crime ocorreu nas proximidades do Sítio do Pica Pau, onde ele iniciou discussão com a vítima por causa de uma tatuagem que ela fizera no braço. Ele estacionou o veículo e passou a agredi-la, batendo a cabeça da enteada contra a coluna do automóvel, deixando-a desorientada. O padrasto, de acordo com as investigações, colocou Maria Alice no banco de trás do veículo, objetivando abusá-la sexualmente e voltou novamente a espancá-la e asfixiá-la com o cinto de segurança do carro.

Após torturá-la e estuprá-la, o auxiliar de pedreiro abandonou o corpo da vítima no município de Itapissuma, em um local chamado de Sítio Burro Velho. Ele também é acusado de haver amputado parte do braço esquerdo da enteada. De acordo com os familiares da vítima, no braço havia uma tatuagem com o nome do pai da jovem, escrito em hebraico. Após o crime, o padrasto deixou o cadáver em um canavial e fugiu para o estado do Ceará. O corpo da jovem só foi encontrado cinco dias após o desaparecimento e estava em estado de decomposição.

Gildo da Silva Xavier, que se encontra preso, responderá pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado (mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; e para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou
vantagem de outro crime), sequestro para fins libidinosos, estupro e ocultação de cadáver. Caso seja condenado, o réu pode pegar de 25 a 56 anos de prisão.

Em sua decisão, o juiz José Romero Maciel destaca: “A perícia comprovou a existência de vestígios de sangue humano em seu veículo. Embora tenha negado a autoria dos crimes de sequestro e estupro, há nos autos indícios de que o acusado tenha atraído a vítima para que entrasse em seu veículo fazendo-a crer de que iria para uma entrevista de emprego no bairro da Ilha do Leite, contudo, após conseguir seu intento, desviou de rota, e seguiu pela BR 101 no sentido Goiana, o que, em tese pode caracterizar o crime de sequestro. Quanto ao estupro, vê-se que o cadáver da vítima foi encontrado sem as roupas íntimas e vestido com a bermuda do acusado. No local do fato foram encontradas a calça comprida da vítima e a camisa e a cueca do acusado, o que pode indicar a ocorrência de violência sexual contra a vítima”.


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