Papa Francisco

Papa defende vacinação e critica posse de armas nucleares como 'imoral'

"As vacinas não são instrumentos mágicos de cura, mas representam certamente, junto aos tratamentos que estão sendo desenvolvidos, a solução mais razoável para a prevenção da doença", explicou

Papa FranciscoPapa Francisco - Foto: Tiziana Fabi/AFP

O papa Francisco pediu nesta segunda-feira (10) à comunidade internacional para "continuar os esforços" para vacinar a população e combater a difusão de "notícias sem fundamento" sobre o coronavírus, além de criticar a posse de armas nucleares.

"É importante que os esforços continuem para imunizar a população o máximo possível. Isso requer um compromisso múltiplo a nível pessoal, político e da comunidade internacional em seu conjunto", afirmou o pontífice em seu tradicional discurso no início do ano ao corpo diplomático.

O papa também condenou a propagação de "notícias sem fundamento" e convidou todos a imporem "uma cura da realidade" diante da pandemia de coronavírus. 

"Infelizmente, cada vez mais constatamos como vivemos em um mundo de fortes contrastes ideológicos. Muitas vezes nos deixamos influenciar pela ideologia do momento, geralmente baseada em notícias sem fundamento ou em fatos pouco documentados", disse a embaixadores e representantes dos 183 países credenciados à Santa Sé. 

"A pandemia nos impõe uma espécie de 'cura da realidade', que requer enfrentar o problema e adotar os remédios adequados para resolvê-lo", alertou o pontífice.

"As vacinas não são instrumentos mágicos de cura, mas representam certamente, junto aos tratamentos que estão sendo desenvolvidos, a solução mais razoável para a prevenção da doença", explicou.

O pontífice argentino, de 85 anos, se pronunciou várias vezes a favor das campanhas de vacinação contra a covid e voltou a pedir "que as regras monopólicas não constituam mais obstáculos à produção e a um acesso organizado e coerente aos tratamentos a nível mundial".

"Mundo sem armas nucleares"

O papa também manifestou nesta segunda-feira (10) sua "preocupação" com a produção de armas nucleares e reiterou que sua posse é "imoral", após pedir a retomada das negociações sobre este assunto com o Irã.

"Entre as armas que a humanidade produziu, as nucleares são motivo de preocupação especial", afirmou o papa.

"Um mundo sem armas nucleares é possível e necessário", acrescentou o pontífice ao mencionar a X Conferência para a Revisão do Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares que estava prevista em Nova York e foi adiada devido à pandemia.

"A Santa Sé continua insistindo que as armas nucleares são instrumentos inadequados para responder às ameaças à segurança no século XXI e que sua posse é imoral", afirmou.

"Seu uso, além de produzir consequências humanitárias e ambientais catastróficas, ameaça a própria existência da humanidade", destacou.

Para o pontífice argentino, é de "suma importância" que sejam retomadas as negociações sobre o acordo nuclear com o Irã.

As negociações para salvar o acordo de 2015 e evitar que o Irã desenvolva armas atômicas foram retomadas em novembro de 2021 em Viena, após uma pausa de cinco meses.

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