Para Carnaval 2027, Mirella promete "Estação do Samba" na parte baixa do Sítio Histórico de Olinda
Prefeita usa solução para responder críticas de agremiações de frevo

Durante a coletiva de imprensa do balanço dos serviços para o Carnaval 2026 de Olinda, nesta quinta (19), a prefeita Mirella Almeida (PSD) foi questionada sobre as críticas por parte das agremiações de frevo contra "paredões" de som usados por grupos de samba que estariam abafando as orquestras tradicionais na cidade, pelo volume alto.
Leia também
• Carnaval de Olinda 2026: festa teve mais de 4 milhões de foliões e movimentou R$ 1,5 bi
• Viroses pós-Carnaval: cometeu excessos na folia? Veja como se recuperar
• Controvérsia e rebaixamento marcam desfile de Carnaval
Ela prometeu a realização de uma "Estação do Samba" para 2027, na parte baixa do Sítio Histórico. Antes, disse que o assunto foi avaliado numa reunião de análise da festa, feita junto ao secretariado dela e que parte das baterias de samba já têm consenso com outras agremiações de fazer o desfile na parte baixa do Sítio Histórico de Olinda.
"Foi feito assim. Algumas continuaram no perímetro das ladeiras, mas esse ajuste já está previsto para o próximo ano. A gente conseguiu minimizar essa situação, levando algumas [baterias] para a parte baixa. Inclusive, gostaram muito do roteiro", disse ela.
A reclamação
O comunicado, emitido em 10 de fevereiro, foi assinado em forma de carta aberta pela Associação das Agremiações de Frevo de Olinda e questionava o uso dos paredões de alta potência, alegando que, "além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais".
Veja a carta aberta
"Ocorreu tudo bem nesses desfiles e a tendência para 2027 é que a gente consiga fazer uma 'Estação do Samba' na parte mais baixa do Sítio Histórico, garantindo que as agremiações e bonecos gigantes desfilem da melhor forma possível", cravou.
O que dizem os grupos de samba?
Deco Patusco, da Bateria Patusco e presidente da Associação Carnavalesca de Samba de Olinda (Acaso), foi procurado pela reportagem da Folha de Pernambuco.
Ele confirmou que a reunião com a secretária de Cultura, Marília Banholzer, para discutir sobre a possibilidade de os desfiles acontecerem na parte baixa do Sítio Histórico de Olinda e que a questão será tratada novamente em abril, com possibilidade considerável de ser na primeira semana.
"Nós vamos desfilar embaixo, desde que tenha uma estrutura adequada. Se tiver uma estrutura adequada, não faremos questão nenhuma", opinou.
A bateria Sambadeiras também foi procurada, e a presidente da bateria, Juliêta Mergulhão, se pronunciou por meio de nota.
"O Corredor do Samba é uma iniciativa que a gente recebe com atenção e respeito, mas é impossível não reconhecer o contexto: ele surge logo após dois desfiles potentes das Sambadeiras, que mostraram na prática a força do samba, a adesão do público e a capacidade de organização da nossa bateria", disse no comunicado.
De acordo com Mergulhão, "quando o samba ocupa a rua com beleza, segurança e afeto, ele abre caminho para políticas públicas e novos olhares sobre o Carnaval. Se o projeto nasce desse movimento, então é também reflexo do trabalho coletivo que as Sambadeiras vêm construindo há 18 anos".
"E tem um ponto que pra nós é central: essa abertura de passagem também é uma questão de gênero. Uma bateria feminina, com mais de 200 mulheres, ocupando o espaço público com potência e cuidado, mudando a paisagem do Carnaval e afirmando que mulher também conduz, puxa, organiza e dita o ritmo. O samba que a gente faz é festa, mas também é presença e proteção, porque mulher na rua precisa estar viva, respeitada e segura", complementa a líder.
"Seguimos abertas ao diálogo, defendendo que qualquer iniciativa para o samba em Olinda respeite quem já faz, sustenta e emociona a cidade com o batuque. Só não podemos segregar. Não pode existir samba de um lado, frevo do outro, maracatu de outro. Olinda tem um Carnaval potente justamente pela diversidade das manifestações culturais, e qualquer projeto precisa somar, não separar", finaliza.
