Ter, 17 de Fevereiro

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Opinião

Para Gabriel, ou, as reformas

Era uma vez um condomínio onde moravam muitas pessoas, cada uma em seu apartamento. Como em todo condomínio, as pessoas dividiam as despesas para manter os serviços comuns como vigilância, aparar a grama, a conta de luz do elevador e limpar a piscina. Tudo estava funcionando assim até que um grupo de moradores, ao ver como era o pagamento da conta de outros condomínios, mostrou que essa taxa era muito cara, complicada e injusta.

Era injusta pois um dia resolveram ratear igualmente por apartamento, quando existiam três tamanhos de apartamento nesse condomínio. Resultado? Quem morava no apartamento menor, pagava um preço por metro quadrado bem mais alto que nos maiores. Viram também que era muito complicado pagar esse condomínio. Eram oito boletos diferentes, alguns deles com vários preços, uma confusão enorme. Mostraram que nos condomínios vizinhos eram somente dois boletos simples de serem pagos. Por último, argumentaram os condôminos que os outros condomínios que cobravam o valor total arrecadado parecido com o deles ofereciam muito mais serviços.

Resolveram então criar um debate para que a taxa de condomínio baixasse, fosse justa e simples de pagar. Batizaram isso de Reforma Tributária.

Outro grupo de condôminos, por sua vez, começou a questionar a necessidade de vigilância 24 horas, o preço da manutenção do jardim, o horário de funcionamento da piscina e o salário dos zeladores. Resolveram discutir isso e batizaram esse debate de Reforma Administrativa.

Ao longo da última campanha, o candidato a síndico que venceu dizia que era preciso seguir com todas essas mudanças o mais rápido possível. Dizia que tudo começaria com o orçamento de gastos refeito e depois tratariam, de uma forma justa e simples, de dividir a taxa de condomínio com seus preços revisados.

Mas só que quando era para começar o debate, o síndico lembrou que a Reforma Administrativa iria mexer com muitos interesses da turma que o elegeu e pediu para o tesoureiro dar uma enrolada em todo mundo, pois, no passado, conseguiram até mudar a letra P de provisório para permanente em uma taxa extra que durou mais de dez anos.

Depois de muito tempo aguardando, quase dois anos e meio mais tarde, o tesoureiro apresentou a sua proposta de Reforma Tributária. Queria ele colocar em votação somente uma revisão do rateio da despesa de manutenção da piscina, e que mais na frente veriam todo o resto.

Perguntei a Gabriel se isso fazia sentido. Ele pensou e me disse: Faz não, vô Jão!


*Economista e sócio-diretor da PPK Consultoria

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