Para 'padrinhos' e 'madrinhas', experiência é um intercâmbio dentro do País

Alguns até cogitam repetir o experimento no primeiro semestre de 2018 a fim de ampliar cada vez mais o leque de conhecimentos

Uemeson José dos Santos é um dos padrinhos cadastradosUemeson José dos Santos é um dos padrinhos cadastrados - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Outros padrinhos e madrinhas contam a experiência que é participar do programa de intercâmbio da UFPE e, em todos os depoimentos, destacam o quão valeu a pena auxiliar um estudante estrangeiro. Para os que fizeram intercâmbio, a iniciativa surgiu como oportunidade para aperfeiçoar o idioma. Já para quem nunca nem saiu do País, participar foi como fazer um intercâmbio. Só que dentro do País. Alguns até cogitam repetir o experimento no primeiro semestre de 2018 a fim de ampliar cada vez mais o leque de conhecimentos. Para isso, aguardam a instituição divulgar a lista dos novos padrinhos e madrinhas que irão recepcionar os próximos estudantes que ingressarão na UFPE para mais um intercâmbio.

Leia também:
Apadrinhamento de estrangeiros permite vivência de intercâmbio sem viajar
Relações com intercambistas podem virar amizades para toda a vida


PADRINHO: Uemeson José dos Santos
IDADE: 26 anos
CURSO: Doutorado em tecnologias energéticas e nucleares

Estreando pela primeira vez como padrinho, Uemeson foi responsável por Romain Chevy, que veio da França cursar ciências da computação na UFPE. "A experiência valeu porque incentivamos um ao outro o tempo todo. Ele escrevia em português e eu respondia em francês para a gente, assim, treinar a língua. Conhecer mais da cultura dele só me deu mais vontade de conhecer a França. Eu nunca fiz intercâmbio e essa oportunidade de ser padrinho, só me ajudou a abrir mais a cabeça sobre como vale a pena ter essa experiência. Porque é um aprendizado que você leva para a vida toda", conta, relembrando uma situação engraçada. "Foi um perrengue para a gente achar um adaptador para ele. Batemos em tudo que é canto e só fomos achar lá por dentro do Centro, pelos camelôs. Foi engraçado porque tudo era novidade para ele, mas ao mesmo tempo bom porque ele conheceu o 'vuco-vuco' do Recife".

MADRINHA: Leylianne de Cássia Rodrigues
IDADE: 29 anos
CURSO: Pós-graduação em Morfotecnologia
Essa já é a segunda vez de Leylianne como madrinha. Desde agosto passado, ela acompanha o colombiano Jaime Tobon, que cursa administração na universidade. Antes dele, sua apadrinhada foi uma holandesa. "O que eu pude perceber nesse tempo que apadrinho é que o programa ajuda também aos estudantes de fora a ganharem autonomia com o nosso apoio. Chega um certo momento que eles não precisam mais de um acompanhamento tão próximo porque fazem outras novas amizades e ficam mais autônomos. Porque, nos meus casos, a dificuldade deles foi mais no início. Mas, depois que aprenderam a desenrolar o português, tornaram-se mais independentes. Mas, a experiência é boa sim porque permite essa troca de culturas", diz. Leylianne é uma das estudantes que está na fila de espera para ser selecionada para apadrinhar em 2018. "Quem sabe não auxilio um estudante em mais um semestre? Vamos aguardar", brinca a estudante.

Leylianne acompanha, desde agosto, o colombiano Jaime Tobon

Leylianne acompanha, desde agosto, o colombiano Jaime Tobon - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco


PADRINHO: Luan Costa de Luna
IDADE: 22 anos
CURSO: Mestrado em educação matemática

Assim como Uemeson, Luan também estreou esse ano como padrinho. Sua afilhada, Juneira Rios, também é uma colombiana e ingressou na UFPE para cursar administração. O que o motivou a querer ser padrinho foi o fato de já ter feito há dois anos intercâmbio na cidade de Granada, na Espanha, por um período de seis meses. Apadrinhar, conta, ampliou ainda mais a sua concepção e forma de ver o mundo. "Acredito que o intercâmbio não tem fim, é um ciclo. Ele não acaba quando você regressa ao seu País. O ato de apadrinhar também é uma forma de intercâmbio, pois acaba sendo uma grande troca de costumes e culturas. E, nessa troca, acabo relembrando os bons tempos em que tive a mesma experiência que Juneira", declara o jovem, que acompanha Juneira desde julho deste ano. "Estou participando do novo edital para 2018 e espero ser selecionado".

MADRINHA: Milena Maria Santana
IDADE: 21 anos
CURSO: Bacharelado em ciências biológicas

Também madrinha pela primeira vez, Milena Maria, coincidentemente como a maioria, ficou responsável por uma colombiana. Alejandra Taborda saiu do seu país de origem para dar continuidade à graduação de contabilidade na UFPE. No caso delas, a relação foi além de um apoio acadêmico. "Viramos carne e unha. Antes de começar o semestre já estávamos trocando conversas pelo Facebook e e-mails. Já estamos até combinando de eu ir ano que vem à Colômbia como convidada da colação de grau dela. Valeu tudo a pena pela experiência, troca de conhecimentos e ainda viramos grandes amigas", declara. Nesse tempo em que esteve pelo Recife, Alejandra chegou a fazer uma cirurgia de apendicite e recebeu os cuidados da mãe de Milena, que é técnica em enfermagem. "A recuperação de Alejandra foi na minha casa e lá ela aprendeu a comer cuscuz, tapioca, macaxeira, tudo que é típico do Nordeste. Foi muito bom ser madrinha dela", conta, sorrindo.

 

Milena e Alejandra

A mãe de Milena cuidou de Alejandra após uma cirurgia e ela aprendeu a comer cuscuz - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

 

Veja também

Após 5 anos, atingidos pela lama em Mariana ainda esperam reparação
Tragédia

Após 5 anos, atingidos pela lama em Mariana ainda esperam reparação

Grécia anuncia confinamento parcial para conter coronavírus
Pandemia

Grécia anuncia confinamento parcial para conter coronavírus