Páscoa

Esta é a festa mais importante do calendário católico e vem do hebraico Pessach

A palavra Pessach significa passagem e simboliza, para os hebreus, a libertação da escravidão para a liberdade, em busca da Terra PrometidaA palavra Pessach significa passagem e simboliza, para os hebreus, a libertação da escravidão para a liberdade, em busca da Terra Prometida - Foto: Da editoria de Arte

Amanhã é domingo de Páscoa. A mais importante festa do calendário católico. Vem do hebraico Pessach (passagem). Simboliza, para os hebreus, a passagem da escravidão para a liberdade, em busca da Terra Prometida. Já para os cristãos é a passagem da condição de pecadores para a ressurreição e a vida eterna.

Um tempo para refletir sobre a vida. Inclusive as relações entre o homem e os alimentos, em uma dimensão de fé. A religião, bom lembrar, nasceu com o próprio homem. Todas as civilizações tiveram deuses feitos à sua imagem e semelhança. Os deuses gregos, por exemplo, não sabiam perdoar.

Os egípcios puniam quem não lhes obedecia. Só que, bem aos poucos, tudo foi mudando. A violência e a vingança dos primeiros tempos acabaram convertidas em compaixão e perdão. E os muitos deuses, em quase todas as culturas, acabaram um só - onipotente, criador do universo, puro, misericordioso, síntese da perfeição. A Bíblia dá testemunho desse Deus que hoje professamos.

A Páscoa não tem data certa no calendário. Sendo marcada, a cada ano, em função da primeira lua cheia da primavera europeia - que começa em 21 de março. O domingo, seguinte a essa lua cheia, é o de Páscoa. 40 dias antes, a Quarta-feira de Cinzas. Quaresma é esse período de 40 dias. Do jejum de Cristo. E dos 40 anos em que libertos da escravidão, no Egito, vagaram no deserto o povo de Deus. E foram guiados por Moises. Esse ano o domingo de Páscoa cai amanhã, 1 de abril.

Símbolos, na Páscoa, não faltam. Vindos de vários países. O coelho vem da Alsácia, representando fecundidade. Enquanto o ovo - então de galinha trocado entre amigos - remonta à antiga Pérsia, evocando a regeneração da vida ao final do inverno. Tudo com fortes influências na tradição judaica cristã. Mais tarde, no séc. XIX começaram a ser substituídos, esses ovos de galinha, por ovos de chocolate.

É que virou moda fazer, com chocolate, réplicas perfeitas de objetos. Inclusive aqueles ovos de ouro, cheios de pedras preciosas, que o joalheiro Carl Fabergé (1814) fazia, por encomenda do Czar Alexandre III, para a czarina Marie Feodorovna. Fabricantes italianos imaginaram fazer esses ovos de chocolate, recheados com bombons. Deu certo.

Acabou convertido no próprio símbolo da Páscoa - o ovo da Páscoa. Chegando ao Brasil só por volta de 1920. No domingo de Páscoa mantemos a tradição. Distribuímos ovos de chocolate sobretudo com as crianças. E nas mesas sobremesas feitas com chocolate.

O carneiro bíblico ainda resiste, na Páscoa pernambucana. Hoje misturado a camarão, lagosta e peixes de todos os tipos. Especialmente bacalhau. De preferência no coco, acompanhado de feijão (também de coco). Com bredo - erva só usada nesse período da semana santa.

E quibebe - purê de jerimum parecido com o de Angola, só que lá acrescido de azeite de dendê e guisado de peixe, algumas vezes substituindo jerimum por batata doce. Em Portugal além do carneiro, também se come borrego, carne de boi, pão-de-ló, bolo-rei e amêndoas (confeitadas e coloridas). E mais folar, que pode ser doce ou salgado e ter diferentes formas, dependendo do lugar.

No período de Páscoa, mesmo antes de Moisés, já por essa época pastores nômades comemoravam a chegada da primavera. Com celebrações que têm em comum, inclusive, a maneira de festejar - em volta de mesa farta, com comidas cheias de simbolismo e tradição, reunião de família e amigos.

O cristianismo recebeu, do judaísmo, essa maneira de celebrar a Páscoa. Não por acaso reunindo o próprio Cristo, à mesa, todos os seus apóstolos. Na santa Ceia. E morreu depois oferecendo-se como o Cordeiro de Deus, Agnus Dei, aquele que veio para tirar o pecado do mundo e ter piedade de nós. Amanhã celebramos mais um Domingo de Páscoa. À mesa, pois.

RECEITA
Bacalhau com molho de coco, quibebe e bredo

INGREDIENTES

2kg de bacalhau
Farinha de trigo
Azeite
2 dentes de alho
2 cebolas
Coentro e cebolinho
1 pimentão vermelho
1 pimentão verde
3 tomates
2 cocos
2 colheres (de chá) de Tabasco
Sal e pimenta-do-reino
6 batatas cozidas
3 ovos cozidos

PREPARO
· Na antevéspera, ponha o bacalhau (sem couro) de molho na geladeira. Troque a água várias vezes. Retire peles e espinhas. Corte em pedaços grandes, enxugue bem, passe no trigo, frite ligeiramente dos dois lados e reserve.
· Prepare o molho de coco - junte na panela azeite, alhos, cebolas, coentro, cebolinho, pimentões, tomates. Refogue tudo. Junte leite de coco e deixe no fogo, até que tudo esteja bem cozido. Mexa de vez em quando. Retire pimentão verde, coentro e cebolinho (que eles escurecem o molho) e passe todo o resto no liquidificador. Coe e volte ao fogo
· Junte o bacalhau e deixe ferver novamente. Tempere com tabasco, mais sal e pimenta se necessário
· Acrescente batatas e ovos cozidos. Acompanhe com feijão de coco, arroz de coco, quibebe e bredo

*É especialista em Gastronomia e escreve toda semana neste espaço