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Paulo Câmara fala das conquistas de 2019 e traça planos para o futuro

Em entrevista à Folha de Pernambuco, o governador Paulo Câmara analisa os avanços na segurança, educação e economia

Paulo Câmara, governador de PernambucoPaulo Câmara, governador de Pernambuco - Foto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

Reeleito para mais um mandato à frente do Executivo estadual, o governador Paulo Câmara (PSB) traça planos para o futuro, enquanto se coloca como um ponto de convergência para as eleições do próximo ano. Ele crítica o enfrentamento feito pelo Governo Federal e vê avanços na sua gestão nas áreas de segurança, educação e economia.

POLÍTICA

13º do Bolsa Família
Quando o debate tem relevância e é um debate importante para contribuir para a melhoria do Estado e do País, eu estou apto a participar, mas ficar trocando rinha pelas redes sociais sobre quem implantou primeiro o programa não faz bem ao Brasil, nem ao nosso Estado. A gente tem tanta coisa para resolver. Então, acho que o Governo Federal gastou muita energia, em 2019, em discutir coisas pequenas, que não vão melhorar a vida do povo, ao invés de discutir coisas efetivas, mais importantes e planejar.

O Governo Federal não planeja, não tem metas. A gente não sabe o que vai acontecer na educação, na saúde. Não tem um planejamento da retomada do investimento. Não sabe de nada. O 13º do Bolsa Família é um desses assuntos que bastava pedir a um desses 500 mil assessores que o presidente da República tem para saber: eles estão copiando a gente? É só perguntar o básico antes de escrever e perder tempo com isso. Na verdade, a gente devia estar comemorando que tem dois 13º do Bolsa Família em Pernambuco. O presidente quis, infelizmente, fazer uma disputa de paternidade desnecessária. O nosso pagamento está dentro do planejado e vamos fazer em fevereiro. Fevereiro, março e abril, dependendo da data de nascimento. Já está anunciado. Diferentemente do Governo Federal que pagou esse ano e não falou nada para 2020, o nosso é todo ano.

[TV FOLHAPE] Paulo Câmara fala, entre vários assuntos, sobre o Bolsa Família, críticas do presidente Jair Bolsonaro, Consórcio Nordeste, unidade da esquerda e Lula



Críticas de Bolsonaro
Incomoda (as críticas de Bolsonaro sobre desonestidade) porque você tem que esclarecer um assunto que não devia nem estar em debate. Isso é ruim. Isso canaliza energia, porque a gente podia estar discutindo outras coisas. Mas paciência. A gente também, no governo, tem que ser transparente. Toda vez que tiver uma declaração inverídica, desrespeitosa como foi a do Governo Bolsonaro, a gente vai ter que responder à altura.

Consórcio Nordeste
As críticas (ao Consórcio) são infundadas, fruto de desconhecimento e até de preconceito que ainda predominam nesse País, infelizmente. O consórcio foi pensado lá atrás. É um grupo que existe lá atrás ainda, no governo de Eduardo Campos, em que já se falava da importância de criar um consórcio. Só foi possível fazer em 2019 e acredito que foi o momento certo, até porque era o início do mandato de todos, os eleitos e reeleitos.

O Consórcio tem suas atribuições, já está fazendo suas compras corporativas. Reuniões diversas sobre integração de sistemas de informática, sobre áreas sociais, cultura, turismo. Temos muitos grupos de trabalho já constituídos. Fomos agora para a Europa apresentar as potencialidades do Nordeste e fomos acompanhados por um representante do Governo Federal, que nós solicitamos. Fomos lá em Brasília solicitar a presença de um representante do Governo Federal.

E o representante é testemunha. Passamos lá cinco dias de manhã, de tarde e de noite apresentando o Nordeste, discutindo o Nordeste. Em nenhum momento, nós falamos nada de política. Nada de questões ideológicas, falamos das potencialidades do Nordeste e como vale a pena investir no Nordeste. Então, estamos fazendo nosso trabalho.

Contrapontos
Eu tenho até 31 de dezembro de 2022 um planejamento já feito e aprovado pela população, com metas e objetivos e temos muita coisa que queremos deixar prontas para o sucessor. Um planejamento de curto, médio e longo prazo em Pernambuco, no sentido do que foi lançado ainda em 2013 por Eduardo Campos que é o Pernambuco 2035.

O Governo Federal não tem planejamento de nada, de nada. Em qualquer área não tem planejamento. Planejamento para saúde? Ninguém sabe. Para Segurança? Ninguém sabe. O que fez em segurança esse ano foi mandar a Força Nacional para cinco municípios e flexibilizar o porte de armas que, no nosso entendimento, é totalmente equivocado, mas paciência. Não tem mais o que fazer e está flexibilizado o porte, e isso é terrível para controlar a violência. Na Educação, o que se está pensando para o Brasil do futuro? Qual o planejamento para a Educação? Não tem. A gente tem aqui. Eu trabalho muito com prioridades, com metas, com pé no chão em relação a recursos financeiros. Todos nós entendemos a crise pela qual passa o País.

Agora, precisa ter um plano, um plano de desenvolvimento regional, um plano de destravamento de obras, um plano de investimento, um plano de políticas sociais. Isso deve ser feito pelo Governo Federal. Está na Constituição. Infelizmente, a gente não vê nenhuma ação concreta do Governo Federal, nenhum planejamento, só confusão e discussão por coisa pequena em um momento que o País precisa de grandeza de diálogo e unidade para enfrentar os problemas.

Unidade da Esquerda
Derrotas fazem parte da democracia. Evidentemente, a gente tem que respeitar as derrotas, sejam eleitorais, sejam políticas, seja dentro do Parlamento. O que não podemos é ser incoerentes com o que a gente acredita e com que a gente defende. A esquerda e a centro-esquerda precisam também ver formas de avançar no pensamento e nas discussões. Se nós não conseguimos avançar em 2019 como gostaríamos, em 2020 temos condições também de apresentar um debate intenso e qualificado e as eleições vão ser úteis para isso. A gente vai mostrar o que a gente pensa, o que vemos que está errado, como a gente pode corrigir e como a gente pode ajudar o Brasil. Vamos ter um ano importante em 2020 e eu espero que qualquer tipo de percalço que possa ter em 2019 possa ser corrigido em 2020.

Lula
Lula passou por uma situação suis generis, ele estava preso, agora, ele está cumprindo um papel importante de iniciar discussão e buscar reafirmação dos valores que ele acredita do partido, está na legitimidade dele. Agora, vamos buscar a unidade onde for possível, onde não for possível, vamos seguir o nosso caminho da política e estamos preparados para qualquer cenário.

Nossos esforços são de unidade, até porque acabamos de sair de uma eleição, como foi 2018, onde tivemos a unidade do campo de esquerda em Pernambuco com o PT, nos reaproximamos, o PT está nos ajudando a governar Pernambuco. Então, é um cenário importante se pudermos continuar juntos. Se não for possível, não vamos fazer uma coisa insuperável mais na frente. Vamos trabalhar para continuar dialogando.

Crítica de Carlos Siqueira ao PT
O presidente Carlos Siqueira preside o PSB e não é fácil. Dentro do partido, tem várias pessoas que pensam diferente. É uma opinião dele. A gente devia buscar a unidade. Qualquer ação que possa causar desunião, seja por parte do PT, seja do PDT, PSOL, PDT, PCdoB ou do próprio PSB tem que buscar dialogar mais e buscar convergências. Evidentemente, que vou procurar, esse é meu estilo, ir atrás sempre das convergências e da unidade e tentar superar incômodos que possam ocorrer nessa relação.

Papel em 2020
As eleições de 2020, como são eleições municipais, por sua própria natureza, os seus condutores naturais são os atuais prefeitos e os atores municipais. São eles que fazem a estratégia. Evidentemente que eu sei, muito bem que, se continuarmos a fazer ações em favor do Governo, isso ajuda o Governo. E o Governo estando bem, ajuda os candidatos que têm preferência do Governo.

Então, eu tenho dever de casa como governador de fazer o Estado andar bem, independentemente das eleições. Vou cumprir esse papel, estou à disposição para ouvir e para conversar. Já estou sendo muito procurado e sempre evito conversar de 2020 antes de 2020. Eu vou ser um ator que vai ajudar naquilo que for possível, mas tenho certeza que meu papel principal será de trabalhar por Pernambuco e eu vou estar ajudando, com certeza, as pessoas que acreditam no nosso Governo.

ECONOMIA

Desemprego
A gente teve um ano de 2019 que, apesar da taxa ainda continuar alta, foi uma taxa que diminuiu quase um ponto percentual. Acho que começamos o ano com 16,8% ou um pouquinho mais. Deu uma diminuída interessante este ano, mas lógico que está muito alta. Tanto é que todos os investimentos que chegaram a Pernambuco nos últimos dez anos, se você for olhar a quantidade de pernambucanos que trabalham nesses empreendimentos, é mais de 80%, seja na Jeep, seja na fábrica de bebidas, seja no Complexo de Suape, seja nas empresas que se instalaram no interior.

Fizemos esse dever de casa, que é importante para a atração de investimentos. Este ano tivemos, apesar da crise, da incerteza, da desconfiança com o Brasil, que é um componente muito difícil, anúncios importantes para 2020, que é a ampliação da Jeep de R$ 7,5 bilhões, que é a chegada de um polo industrial na escala que ainda não tinha, que é a ACHE e o novo formato de atacado varejista. Nós estamos bem encaminhados, são mais de 100 empreendimentos, seja ampliação ou novos que já estão pactuados para iniciarem em 2020.

[TV FOLHAPE] Paulo Câmara analisa o cenário econômico diante da crise e também os investimentos e a infraestrutura



Há um volume de investimentos que eu espero que se concretize, porque vai também diminuir o contingente de gente que está procurando emprego. E são empregos de melhor qualidade, que sempre apoiamos, na área de tecnologia da informação, seja Porto Digital, sejam outros arranjos que existem. Só a Accenture lançou 2.500 novos empregos. O Porto Digital quer sair de 10 mil empregos para 20 mil empregos nos próximos quatro anos, e são empregos de qualidade, que exigem uma capacitação diferente. Então, as expectativas são positivas, eu estou com muito pé no chão, mas estou confiante que 2020 a gente vai poder avançar também no emprego, que é um dos fatores que mais nos preocupam.

Crise
Pernambuco foi o que mais sofreu com a crise, nessa questão do emprego, porque os desinvestimentos que tivemos aqui, Petrobras e outras ações que se juntam à Petrobras, foram muito grandes. Petrobras, infelizmente, é uma cadeia que muitas empresas trabalham só para fornecer a ela. Então quando ela deixa de fornecer, essas empresas perdem tudo. Isso foi um dificultador muito grande e Pernambuco sofreu demais. Fizemos e estamos, desde o início da crise, desde o início do meu primeiro mandato no governo, buscando alternativas para enfrentar a crise, fazendo com que os empreendimentos continuem a chegar.

Investimentos
Toda a política de atração de investimentos, seja na parte fiscal e tributária, conseguimos regularizar, porque tinha uma insegurança jurídica muito grande, já que havia muitas ações judiciais contra o Prodepe [Programa de Desenvolvimento de Pernambuco], os programas de incentivo no Brasil todo. Isso foi devidamente pacificado em um ato do Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária]. Então, isso deu uma segurança jurídica para a gente avançar mais na concessão de benefícios.

Buscamos manter a infraestrutura funcionando adequadamente, seja no Complexo Industrial de Suape; na questão das estradas, que fizemos um programa este ano pra recuperar essas estradas; conseguimos colocar nosso aeroporto como o grande hub do Nordeste, e ele passou a ser o mais movimentado do Nordeste; saímos de quatro destinos internacionais para 14, de 12 destinos nacionais para 33; conseguimos dar uma organizada, também, nessa questão da infraestrutura, seja rodoviária, portuária, seja aeroportuária.

Ainda não destravamos, mas é outra meta, a questão da Transnordestina, que é outra ação importante. Então, cuidamos da infraestrutura, cuidamos dos benefícios fiscais, e cuidamos da qualificação profissional a partir do momento que a gente não deixou de capacitar, mesmo com o desemprego presente em Pernambuco.

Infraestrutura
O Arco Metropolitano, em um determinado momento, o Governo Federal puxou pra ele, depois desistiu. Então o que eu fiz? Eu peguei o que tinha de informações, fizemos um grupo de trabalho e vamos lançar, vamos fazer um projeto e vamos buscar investidor. O Estado não tem mais como investir em obras como essa, então vamos atrás de investidor, seja como concessão, PPP, vamos fazer o que deve ser feito diante da nova realidade econômica do nosso País.

Agora, nada vai acontecer se não tiver projeto, então nós estamos muito focados também na finalização de projetos estruturadores, e o Arco Metropolitano é um desses projetos estruturadores, como é a finalização da Transnordestina, algumas PE’s que precisam ser recuperadas e outras a serem feitas. Isso tudo são elementos indutores de desenvolvimento, mas precisa de projeto.

A CIDADE

Educação
Primeiro, a gente garantiu o orçamento para a nossa Universidade de Pernambuco mesmo com a crise. Houve uma expansão muito grande da UPE no governo Eduardo Campos, no interior. Novos cursos. Estes cursos hoje estão entre os melhores avaliados do Brasil. É uma universidade que está bem situada, melhorando. Então, já temos esse norte da Universidade de Pernambuco.

O que é que a gente sentiu falta? É que nossos alunos, diante da melhoria do ensino médio, estavam terminando o ensino médio com uma taxa de evasão baixíssima em Pernambuco, que tem 1% de taxa de evasão no ensino médio. Era de 24% em 2007. Hoje, a cada 100 alunos que entram, só um não termina. Só que esses meninos estavam terminando o ensino médio e não estavam fazendo nem o Enem, nem o Sistema Seriado da UPE porque moravam no interior, sabiam que tinham que se mudar para uma cidade com campus universitário, mas não tinham como se manter. PE no Campus foi pensado nisso.

Ou seja, estávamos com 40% de inscrições no máximo, dependendo do ano, juntando Enem e Seriado da UPE. Hoje, com o lançamento do PE no Campus, estamos com mais de 80% dos alunos já fazendo Enem e Seriado da UPE. Estamos com mil vagas que, por enquanto, estão atendendo a demanda. Vamos aguardar. Este ano tem mil. Se esse ano tiver algum desajuste ou tiver muita gente que se enquadre no programa, aí vamos ver como a gente amplia.

[TV FOLHAPE] O governador Paulo Câmara relata os avanços na educação, na saúde e na segurança pública 



Saúde
A gente está em processo de manutenção de todos os hospitais. A prioridade é essa. Temos obras para concluir o Hospital da Mulher, que vai ser retomado em 2020, em Caruaru, o Hospital Geral do Sertão, que já está em obras e vai ser concluído no primeiro semestre de 2020, e quatro Upas Especialidades, que vão ser concluídas, também, em Carpina, Palmares, Escada e Goiana. Esse é o cenário das novas unidades. E vamos buscar melhorar e atender cada vez melhor.

Esse ano só de investimento para o custeio da saúde foram mais de R$ 200 milhões. Só de contratação de pessoal foram cerca de 800 profissionais. Nós não deixamos de priorizar a saúde até porque a crise leva a um aumento de procura por serviços de saúde públicos, pois as pessoas perdem o plano de saúde, os municípios que cuidam da pequena complexidade, da baixa complexidade, alguns fecharam o serviço e isso sobrecarrega a rede estadual.

Então, a meta é priorizar os serviços já existentes, ver onde dá para ampliar, buscar recursos federais, que estão cada vez mais escassos. Pernambuco hoje para manter sua rede de saúde gasta cerca de 70%. O que é gasto com saúde em Pernambuco 70% vem do Estado e só 30% do SUS. Essa conta já foi 80% do SUS e 20% do Estado, há 30 anos. E há 10 anos era 50% a 50%. Então está havendo um descompasso enorme. Isso é uma discussão nacional que. infelizmente, eu não vi ser feita pelo Governo Federal. Vamos priorizar aquilo que hoje está mais sacrificado. O Getúlio Vargas fizemos uma grande emergência , mas temos que ajeitar essa parte agora que está dando estrangulamento. Tivemos reunião com o Cremepe, com o sindicato, fazendo algumas ações de projetos, pois virou prioridade resolver a questão do Getúlio Vargas, como também são prioridades uma obra que tem no Barão de Lucena e no Agamenon Magalhães, que estão mais perto de ficarem prontas.

Segurança Pública
Violência tem uns componentes que podem potencializar o crime e podem amenizar, dependendo do momento que se vive, do ambiente. Infelizmente, é cíclica esta questão. Pernambuco teve um momento muito importante quando implantou o Pacto Pela Vida, em 2007, que foi de enfrentar uma situação muito crítica.

Quando Eduardo assumiu era uma questão muito difícil, mas ele conseguiu agregar e colocar na mesa pessoas que nunca tinham sentado, mas que fazem parte do sistema. Ele conseguiu fazer um grande plano, bem pensado, tecnicamente organizado que previa uma série de etapas e aproveitou um momento fundamental que foi o Brasil crescendo. Fomos competentes em implantar uma política aproveitando um bom momento que o Brasil viveu. Tanto é que Pernambuco foi o único Estado do Brasil que de 2007 a 2013 diminuiu a violência todo ano.

A partir da crise de 2014, a gente teve realmente dificuldades e a violência foi um negócio que mudou um pouco de configuração no Brasil todo, não foi só em Pernambuco. O crime organizado passou a estar mais presente, o tráfico de drogas criou uma nova engenharia de se diluir e chegar em mais locais. Então, tivemos momentos difíceis que nos fizeram também, dentro do Pacto Pela Vida, discutir muito quais são as ações necessárias.

2017 foi um ano muito ruim nacionalmente e Pernambuco sofreu demais. Não tem nem porque querer amenizar. Foi um ano muito ruim. Nós vimos que tínhamos que pegar o dinheiro que tinha, investir. Os concursos que estavam em andamento colocar para dentro o máximo de policiais, de equipamentos. Tínhamos que dar, realmente, um choque de repressão, polícia na rua investigando, prendendo. Mas sabíamos que isso tem um prazo de saturação. Então, a prevenção tinha que estar mundo junto nisso.

Quando a gente fez essas ações, e que em 2018 já deu um resultado importante, porque fomos um dos Estados que mais reduziu a violência nesse ano, quando iniciamos o governo já sabíamos que tínhamos que ter mais cuidado com a prevenção, tanto é que criamos uma Secretaria de Prevenção à Violência e às Drogas. Integramos isso também. Em 2019, a gente está tendo um fechamento interessante de redução. Já são 24 meses de redução. Então, 2019 foi um ano com muita redução, com a possibilidade de ser o segundo ano menos violento de toda a série histórica de Pacto Pela Vida. Possibilidade não, nós vamos conseguir isso também. São 15 dias só.

CULTURA

Nova gestão
Eles (Gilberto Freyre Neto e Marcelo Canuto, secretário de cultura e presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, respectivamente), estão com uma missão que não é fácil. A cultura hoje, no Brasil, está sendo muito questionada, as políticas federais praticamente inexistem e há preconceitos “de A a Z” em relação a muitas questões. Aqui a gente tem que fazer com que essas confusões do Brasil não cheguem a Pernambuco, que é um berço da cultura brasileira, tem tradições em todas as áreas e tem muito ainda a contribuir na formação dos nossos pernambucanos. Eu sempre insisto muito que as ações em educação, que a gente está melhorando com as escolas de tempo integral, têm que andar junto com cultura e esportes.

É um fator integrador fundamental para as novas gerações e de consolidação de manutenção de valores que a gente preza há muito tempo. Tanto Gilberto como Marcelo são pessoas experimentadas, que conhecem profundamente a área e estão dando conta do recado. Diante de restrição financeira, eles estão cumprindo bem seus papéis. Essa é uma área cujo potencial é infinito e nós podemos, enquanto poder público, contribuir muito para isso avançar, até porque o conceito de uma economia moderna envolve a economia criativa, cujos valores estão dentro do que a gente pensa e faz na cultura.

[TV FOLHAPE] Paulo Câmara fala sobre os desafios na área da cultura





Audiovisual
Nós temos uma política de audiovisual já consolidada, que vem desde Miguel Arraes, com a retomada do cinema brasileiro. Um dos filmes que foi carro-chefe disso foi o “Baile perfumado”. Depois, veio uma nova geração de cineastas pernambucanos e hoje já estão se formando outras. O diretor Kleber Mendonça é hoje, junto com tantos outros, um expoente mundial desse cinema. O que a gente pactuou lá atrás e que vamos continuar pactuando? Mesmo com a crise, a gente não vai fazer nenhum tipo de contingenciamento no âmbito da cultura.

Os recursos do Funcultura estão totalmente garantidos e vão ser colocados mais uma vez à disposição em 2020, para que a gente possa cumprir metas estratégicas e suprir alguns gargalos. As informações que nos chegam são de que, nas parcerias culturais com o Governo Federal, o cofre praticamente fechou. Então, isso vai nos exigir gastar os recursos que nós temos de maneira muito mais efetiva, para contribuir com o desenvolvimento do Estado também partindo da matriz cultural.

Ancine
Nós lançaremos, até o final do ano, dois editais do Funcultura Audiovisual. O de 2018, que era para valer para 2019, estava atrasado em virtude da indefinição da Ancine. Ele ficou parado, esperando essa definição e, como não houve, mandei lançar. E vamos lançar, também, o de 2020, já tentando de alguma forma incorporar essa nova forma de pensar da Ancine. Eu espero que haja condições de avançarmos nessa questão.

Fico preocupado, porque todo ano há mudanças de regras e aperto. As pessoas, às vezes, pensam que o audiovisual é só um filme de duas horas e ponto. Mas há uma série de ações que podem ser incorporadas e estão sendo cada vez mais restritas no âmbito desses editais federais. Então, isso é algo que eu pedi para ser estudado e fazer de acordo com o que a gente pudesse potencializar.

Interiorização da cultura
Esse ano, a gente fez uma edição muito interessante do Festival de Inverno de Garanhuns, depois de muita polêmica em 2018. Qualquer coisa na área de cultura que gere muita polêmica é ruim, porque a gente busca promover a cultura para agregar e não desunir. Então, esse ano a gente fez um festival que agregou, interessante, que repercutiu bem. Vamos preparar a 30ª edição também nesse mesmo formato.

Sobre a questão do Carnaval, também já estamos pensando novas formas, assim como o ciclo da Paixão de Cristo, que em Pernambuco é muito forte, o São João e outros festivais, como o de Triunfo. O dinheiro é curto nessa área, mas nós estamos buscando potencializar muita coisa. Estamos fazendo publicações muito importantes no âmbito da Cepe, que está relançando títulos que estavam esgotados, publicando coisas inéditas e incentivando novos escritores. Então, há um legado importante que estamos construindo para superar esse momento difícil que passa a cultura no Brasil.

ESPORTES

Combate às torcidas organizadas
A gente tem essa preocupação em coibir a violência. É muito importante a FPF estar sempre conversando com as nossas operativas de segurança. Inclusive, se não mandou, é importante mandar logo o calendário, porque começo de ano é sempre problemático, pois junta Carnaval e futebol. É importante haver planejamento. Em relação às organizadas, há um trabalho sendo feito. Já tem a identificação de muita gente. Podemos aprimorar, e o uso da tecnologia é fundamental.

A secretaria está buscando adquirir equipamentos de reconhecimento facial. Em 2020 isso deve ser uma realidade. É o que há de mais moderno. É salutar, também, ver o que outros estados têm feito. Em alguns locais, não é o nosso caso, os jogos têm praticamente só torcidas mandantes, para evitar confusão. Espero que em 2020 seja mantida a tradição do futebol pernambucano, apesar da rivalidade dentro de campo, fora dele estamos tendo menos desafios do que outros estados.

[TV FOLHAPE] Governador Paulo Câmara fala sobre as ações para coibir a violência nos estádios de futebol


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