Paulo Cesar Morato levava vida simples em Tamandaré até um ano atrás

Local em que Morato morava aumenta hipótese de que empresário seria "testa de ferro"

Sebastião e Os Maias é uma das atrações da festaSebastião e Os Maias é uma das atrações da festa - Foto: Reprodução/Facebook Oficial

O "testa de ferro" da organização criminosa suspeita de lavar dinheiro para financiar as campanhas do ex-governador Eduardo Campos, em 2010 e 2014, pode ter sido um laranja. Longe do luxo, o empresário Paulo César de Barros Morato levava uma vida aparentemente simples, até um ano antes de sua morte, constatada na noite da última quarta-feira (22), segundo descobriu o Portal FolhaPE. No município de Tamandaré, a 100 km do Recife, Morato vivia como qualquer cidadão comum. Benquisto pelos vizinhos, ele tinha um ponto de venda e conserto de celulares anexado à casa onde morava de aluguel, na rua José Bezerra Sobrinho, onde se concentra o comércio em Tamandaré. Atualmente, um outro inquilino ocupa o lugar e o estabelecimento, em anexo, comercializa milk shakes e açaís.

A Folha de Pernambuco deu um giro no local na sexta-feira (24). A situação recém divulgada pelos jornais - com a morte de Morato e seu envolvimento na Operação Turbulência - gera receio entre os comerciantes e moradores do entorno, que preferiram não se identificar. Ninguém quis mostrar o rosto ou divulgar o nome para defender Morato. Mas, elogios não foram poupados. "Seu Paulo", como era conhecido, foi descrito como uma pessoa muito querida. Calma, educada, comunicativa, simples e prestativa. As boas referências sobre seu caráter e seu comportamento eram unânimes por toda a rua onde morava. "Falava com qualquer pessoa, de mendigo a advogado. Seu Paulo era maravilhoso e gostava de ajudar. Não tinha tempo ruim com ele", disse a proprietária de um estabelecimento do entorno.

Morato morava com a esposa, que trabalhava como revendedora de uma marca de cosméticos, e ajudava a criar suas duas filhas. "Vivia sorrindo para a gente. Conversava na calçada. Uma pessoa calma, passiva. Um comerciante simples como qualquer outro aqui (em Tamandaré)", detalhou um dos moradores.

A Folha tentou contato com o dono do imóvel do qual Morato era inquilino. O homem, conhecido apenas como Inácio, possui uma peixaria em frente à casa. Os funcionários, no entanto, informaram que "ele havia saído, sem hora para voltar". A reportagem chegou às 10h no local e até o início da tarde, Inácio não havia voltado.

Reação


Choque. Essa é a palavra que define o sentimento dos moradores ao saberem do caso envolvendo "Seu Paulo". Segundo a Polícia Federal, a empresa de Morato teria sido contratada pelo Grupo OAS por R$ 18,8 milhões para prestar serviços de terraplanagem durante as obras da transposição do Rio São Francisco e teria movimentado a maior quantia de dinheiro dentro do esquema. O inquérito aponta, ainda, que Morato mantinha R$ 24,5 milhões em sua conta pessoal. Mas, a vida do empresário não condiz com a realidade apontada pela PF, dando fortes indícios de que Morato foi, de fato, um laranja.

Apesar das revelações da Polícia Federal e da imprensa, quem o conhecia não o julgou ou falou mal. "Muito pelo contrário. Estou com muita pena dele, seja onde seu Paulo estiver. Algo aconteceu para ele desviar o caminho da vida para um lado escuro. Mal caráter, ele não era", defendeu um comerciante.

"Fuga do mapa"

Evidências dos últimos passos de Paulo César Morato indicam que ele previa - ou foi informado - que o desdobramento da Operação Lava Jato poderia lhe custar a prisão. Um mapeamento feito pela Folha de Pernambuco há um ano aponta para um Morato de vida simples, mas buscando fugir do mapa.

Ele saiu em maio do ano passado da sua casa, dois meses antes de ter estourado a Operação Politeia, primeiro desdobramento da Lava Jato que abocanhou políticos pernambucanos. Não bastasse essa coincidência, num intervalo de um ano, Morato encerrou as suas atividades comerciais. Com base no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), a Câmara & Vasconcelos é localizada na avenida Ernesto de Paula Santos, número 187, em Boa Viagem.

No local, funcionários do empresarial disseram que a firma já não funciona no local há pelo menos um ano e meio e que, nela, havia pouca circulação de pessoas. Para alimentar o vácuo, no dia do crime, o empresário foi encontrado com um Jeep Renegade, mas o veículo não está em seu nome. As multas debitadas ao carro revelam trechos percorridos entre Recife e as cidades de Olinda e Igarassu, na Região Metropolitana. Todas elas apontam infrações por velocidade superior à máxima permitida. O último ano de Paulo, portanto, dá a impressão de que ele submergiu para não ser encontrado.   

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