PE-15 é tema de audiência

Problemas no principal corredor de trânsito que liga o Recife às cidades de Olinda e Paulista apontam a necessidade de intervenção na via

PE-15PE-15 - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

A placa que anunciava as “Obras do corredor exclusivo de ônibus norte-sul” trazia uma imagem em gráficos tridimensionais do que se tornaria a avenida Pan Nordestina/Rodovia PE-15 que, se saísse do desenho para a realidade, resolveria todos os problemas da população que utiliza a via. No entanto, é como diz o dito popular: “bonito seria se bonito fosse”. Na prática, o que se pode constatar é que um dos mais importantes corredores viários da Região Metropolitana do Recife está em construção e reforma há 30 anos e parece que não tem data para acabar. Em virtude dos problemas da via, foi convocada para esta segunda-feira (22), às 9h, na Câmara Municipal de Olinda, uma audiência pública para discutir o corredor comercial e rodoviário e sua importância para a vida da Cidade Patrimônio.

O projeto surgiu como promessa de solução definitiva de todos os governadores, desde meados dos anos 1980, quando a pista única de mão-dupla começou a ser duplicada.  Na audiência, a ideia é provocar, além de usuários e comerciantes, secretarias estaduais como a das Cidades, de Desenvolvimento Econômico e de Defesa Social, e municipais, como as de Serviços Públicos e de Obras. Outro anseio é a criação um grupo de trabalho, formado pela sociedade civil e pelo Governo, a fim de elaborar um projeto viável e factível para o Corredor Norte-Sul. A reportagem percorreu toda a extensão da rodovia, de Olinda a Paulista, e constatou a precariedade da Pan Nordestina/PE-15.

Além de muito mal cuidada, a rodovia conta com inúmeros problemas, como trechos da pista danificados - que dificultam a fluidez principalmente do transporte público -, estações de BRT que não saíram do papel, insegurança pública e de trânsito, iluminação precária, muita sujeira - especialmente o mato alto -, falta de sinalização, passeio público danificado e áreas sem calçada, acessibilidade e acostamento. Isso sem contar o próprio conceito, que ficou defasado para necessidades atuais, como as ciclovias.

Alguns dos problemas mais críticos e mais comuns são os danos no asfalto da pista exclusiva para ônibus, como ocorre na altura da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda, próximo à passarela. “Esse problema já vai fazer uns três, quatro meses que está aí. Uma situação muito precária”, avalia o borracheiro Diego Pereira da SIlva, 18 anos. “Atrapalha o dia a dia do trabalhador. Ônibus já chegou a quebrar por causa desse buraco. Começou com um buraco pequeno, deixaram e ficou desse jeito, enorme”, conta.

Em várias saídas de estações do BRT - a maioria no sentido Recife-Paulista - o piso também cedeu. Alguns ônibus trafegam fora da faixa exclusiva junto a outros tipos de veículos. “O BRT não está passando porque está desse jeito. E eles (as autoridades) só fazendo paliativo”, afirma o poeta Ivan Almeida, 50. “Viu água, acabou. É asfalto de açúcar”, ironiza. Almeida diz que o BRT não para nas estações Guedes Alcoforado, Jupiá e Cidade Tabajara. “Está parando só lá na Central. A gente tem que passar direto e voltar para poder descer nessa (Tabajara). A estação está aberta só para quem vai no sentido Recife. Quem quer ficar aqui (no sentido Paulista) tem que descer na terceira para poder voltar”, conta.

Em Paulista, em frente ao North Way Shopping, os problemas se multiplicam. “Aqui tem muito assalto, não tem energia de noite. Os passageiros ficam à mercê dos bandidos”, relata o fiteiro Arlindo Bruno, 58, há 20 anos trabalhando onde deveria estar quase pronta mais uma estação do BRT.

Procurada pela reportagem, a gestão estadual se posicionou por meio de notas. Em uma delas, a Secretaria das Cidades informou que “estão sendo executados trabalhos no pavimento pela empresa contratada no corredor para veículos do tipo BRT que transitam pela PE-15” e que “está tomando as devidas providências para que, quando ocorrer uma melhora significativa nas condições climáticas, sejam intensificadas as correções no pavimento do corredor”.

A respeito das demais faixas, de responsabilidade do DER-PE, o órgão respondeu que “o Departamento de Estradas de Rodagem, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Transportes, esclarece que realiza regularmente serviços de conservação viária ao longo da via. O órgão ressalta que executou recentemente uma operação tapa-buracos na rodovia”.

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