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PE: combate a arboviroses tem este ano vacinação contra febre amarela para o público geral

Vacinação começará em março para todos os moradores de Pernambuco

André Longo, secretário de Saúde de PernambucoAndré Longo, secretário de Saúde de Pernambuco - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Visando a diminuir os casos de arboviroses em Pernambuco, o Plano de Enfrentamento às Arboviroses 2020 foi lançado na manhã desta sexta-feira (14), na sede da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), no bairro do Bongi, Zona Oeste do Recife. A ação tem investimento estadual de R$ 8,8 milhões, um aumento de 26% em relação ao aporte de 2019. Os recursos contemplam a vacinação ampla contra a febre amarela, que este ano irá atingir toda a população de Pernambuco.

A vacinação contra a febre amarela começa em março para os mais de oito milhões de pernambucanos. A vacina é indicada para a população de nove meses a 59 anos. Gestantes e mulheres que estejam amamentando crianças de até seis meses e que nunca foram vacinadas não possuem indicação para vacinação. Já aqueles com 60 anos ou mais que nunca foram vacinadas devem passar por avaliação do serviço de saúde, que determinará a pertinência da vacinação, levando em conta o risco da doença nessa faixa etária.
“É importante que a população se atente e procure os postos de saúde dos municípios. Tínhamos começados a vacinação nas regiões de Palmares e Garanhuns e agora passa a ser disponível em todo o Estado”, afirmou o secretário estadual de Saúde, André Longo.

A verba do Plano de Combate às Arboviroses será utilizada para compra de material de campo, insumos e equipamentos de proteção individual para técnicos de saúde estaduais e municipais de saúde. O dinheiro ainda será investido na confecção de material educativo, aquisição de insumos para vacinação contra a febre amarela, pacotes de dados para smartphones com acesso ao aplicativo [email protected], que registra as residências com foco do mosquito Aedes Aegypti e em infraestrutura. “Estamos reforçando juntos aos municípios a distribuição dos smartphones para que possamos identificar as casas que possuem presença de mosquitos e lavas, para que a gente possa intervir e impedir a proliferação do mosquito”, disse Longo. Até agora já foram entregues 1.423 smartphones para profissionais de 92 municípios.

De acordo com o secretário, Pernambuco é um dos estados brasileiros que pode vivenciar ciclo epidêmico das arboviroses em 2020. “As primeiras seis semanas deste ano não demostram esse risco, mas precisamos ficar alertas. É muito importante continuar mobilizando a população para o combate ao Aedes Aegypti”, afirmou.

Durante o Carnaval, serão distribuídos junto à população materiais de conscientização ao combate às arboviroses, que também serão veiculados os meios de comunicação. “O material deve ser distribuído na próxima semana na perspectiva de mobilizar a sociedade”, contou o secretário.

A SES registrou, de 29 de dezembro de 2019 a 8 de fevereiro de 2020, redução de 45% no número de notificações de dengue, 46% de chikungunya e 57% de zika em relação ao mesmo período do ano passado. Foram notificados até o último dia 8, 1.341 casos de dengue, sendo 241 descartados. Em 2019, no mesmo período, foram 2.464 suspeitas.
Já os casos de chikungunya notificados chegaram a 237 e, desses, 15 confirmados, já em 2019 foram 441 casos notificados. Casos de zika foram 237 notificados, mas nenhum confirmado nas primeiras seis semanas de janeiro, enquanto em 2019 foram notificados 216 casos.

Pernambuco já tem descentralizado para todas as 12 Gerências Regionais de Saúde, a sorologia para confirmação dos casos de dengue, zica e chikungunya. Os casos são investigados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PE), localizado no Recife. Para 2020, o objetivo da SES é implantar no Lacen-PE o diagnostico de febre amarela por biologia molecular em soro e vísceras, para que os casos sejam confirmados com maior agilidade.

Wolbachia em Petrolina
Ainda este ano, o Ministério da Saúde e a Fiocruz, iniciam em Petrolina, no Sertão, o projeto do Método Wolbachia, desenvolvido pelo Word Mosquito Program (WMP), iniciativa sem fins lucrativos presente em 12 países do mundo.

A Wolbachia é uma bactéria presente em mais de 60% dos insetos no mundo. Em laboratório, os pesquisadores do WMP conseguiram introduzir esta bactéria, que foi retira da mosca-da-fruta, dentro dos ovos de Aedes Aegypti. Com isso, foi possível reduzir drasticamente o poder de transmissão da dengue, chikungunya e zika pelos mosquitos infectados.

Segundo a SES, para a realização desse trabalho está sendo feito um levantamento da população e dos bairros de Petrolina para avaliar a quantidade de mosquitos que serão necessários para dispersar na natureza. Antes desse trabalho, a Prefeitura de Petrolina, com suporte das equipes do WMP Brasil/Fiocruz, fará um engajamento comunitário, dialogando com a população e instituições do território para compartilhar informações sobre a iniciativa. As atividades são focadas no setor de saúde, escolas e de lideranças sociais. Além disso, será constituído um Grupo Comunitário de Referência, comitê local que acompanha todas as ações realizadas na localidade, e canais de comunicação abertos, por telefone, e-mail e mídias sociais.

Após a etapa de engajamento, começa a liberação dos mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia no território. Os mosquitos são criados em uma biofábrica, que possui características de umidade e temperatura similares a que os mosquitos encontram no ambiente externo. Uma área da VIII Gerência Estadual de Saúde (Geres), com sede em Petrolina, será reformada e posteriormente receberá ovos com Wolbachia provenientes da Fiocruz Rio de Janeiro, para criação da colônia e liberação semanal de mosquitos conforme plano operacional a ser definido. Por fim, haverá o monitoramento para avaliar o estabelecimento do projeto.
 
Cuidados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti:
- Manter caixas d’água, jarra, cisternas, poços ou qualquer outro reservatório de água bem tampados;
- Não jogar lixo em terrenos baldios;
- Lavar bem bebedouros de animais com auxílio de bucha pelo menos uma vez por semana e trocar a água dos animais diariamente;
- Cobrir e guardar pneus em locais secos;
- Guardar garrafas secas de cabeça para baixo;
- Encher os pratos de planta com areia;
- Retirar a água acumulada sobre a laje;
- Manter as calhas d’água limpas.

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