Pela preservação do legado arquitetônico da Fundaj

Cinco edifícios que compõem o campus da Fundaj no bairro de Apipucos entram em processo de tombamento no âmbito estadual

Edifíciio Antiógenes Chaves, da década de 1980Edifíciio Antiógenes Chaves, da década de 1980 - Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

“Ok, eu cuido de determinada coisa ou pessoa. Mas, quem cuida de mim?” Essa máxima, frequente entre indivíduos e instituições, vale também para a Fundação Joaquim Nabuco. A Fundaj, como é mais conhecida, tem como missão “gerar conhecimento no campo das humanidades com a finalidade de atender a demandas e necessidades relacionadas a educação e cultura, compreendidas de forma interdependente, com vistas ao desenvolvimento justo e sustentável da sociedade brasileira”. Mesmo com tamanha responsabilidade, alguns aspectos da instituição precisam de uma ajuda externa. É o caso de seu patrimônio. Por isso, seu atual presidente, Luiz Otávio de Melo Cavalcanti, solicitou o tombamento de cinco prédios que compõem o campus da Fundação no bairro de Apipucos, na Zona Norte do Recife.

Com o pedido deferido pela Secretaria Estadual de Cultura e pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), as edificações agora se encontram sob regime de preservação de bens tombados pelo Estado.
A partir do despacho favorável à tramitação, o pedido de tombamento segue para análise da Gerência de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe, à qual caberá realizar estudos e visitas técnicas. Após essa fase, é enviado ao Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC), órgão responsável pelo tombamento de edificações no âmbito estadual. Porém, mesmo durante a tramitação, a Lei nº 7970/79, que normatiza esse processo no Estado, assegura aos bens em exame, até sua resolução final, o mesmo regime de preservação dos bens já tombados.

O patrimônio

O conjunto em questão é composto por cinco prédios - dois do século 19 e três do século 20 - construídos em dois terrenos, atual número 92 da rua Dois Irmãos: Casarão Delmiro Gouveia (Villa Annunciada), Edifício Jorge Tasso (apenas o corpo principal, original, sem os anexos de épocas posteriores), Edifício Renato Carneiro Campos (inclusive o Auditório Roquette Pinto), Edifício Dirceu Pessoa e Edifício Antiógenes Chaves.

“Há uma conjugação harmoniosa intencional. Cada edifício tem uma ligação com o outro construído em época diferente. Todos procuraram respeitar um ao outro individualmente. São interessantes e, em conjunto, têm uma harmonia”, explica o diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte da Fundaj, o arquiteto Antonio Montenegro. “Os prédios conferem valores estéticos e históricos que a gente vê que devem ser preservados.”

De acordo com Luiz Otávio de Melo Cavalcanti, o pedido foi motivado por dois aspectos. “Primeiro, o compromisso que a gente tem que ter com a história da Cidade, da paisagem urbana do Recife. A história não pode ficar sendo permanentemente transfigurada. Em segundo lugar, o compromisso da preservação (do patrimônio) da Cidade.” O presidente disse estar confiante do tombamento: “É o que preliminarmente a gente espera da manifestação que virá do Conselho. Não temos dúvida disso. Está muito bem fundamentado.”

Segundo a presidente da Fundarpe, Márcia Souto, não existe um prazo máximo para o processo do tombamento. Depende do tempo levado entre a pesquisa e análise técnica. De qualquer forma, já durante o processo os imóveis ficam protegidos. “Não poderão ter qualquer intervenção sem a autorização da Fundarpe”, confirma. “O tombamento valoriza o imóvel do ponto de vista histórico e cultural e passa também sua importância para a população. A gente aprende mais sobre a história do Estado, que (por sua vez) enriquece muito”, afirma a presidente. 

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