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Pelo menos 2.056 pessoas foram vítimas de abusos na Igreja Católica na Espanha

País tem forte tradição religiosa, cerca de 55% da população se identifica como católica

Chefe da Igreja Católica intercedeu pelo país na tradicional audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano Chefe da Igreja Católica intercedeu pelo país na tradicional audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano  - Foto: Divulgação / Vaticano

Um documento divulgado nesta quinta-feira (21) indicou que pelo menos 2.056 menores foram vítimas de abusos sexuais dentro da Igreja Católica na Espanha, de acordo com uma auditoria realizada por um escritório de advocacia a pedido da instituição religiosa.

O número está significativamente abaixo do estimado em um balanço realizado por uma comissão independente coordenada pela Defensoria do Povo, divulgado no final de outubro, no qual o número de vítimas poderia ultrapassar 200.000.

Os resultados da auditoria, entregues no último final de semana à Conferência Episcopal (CEE), quase dois anos após a encomenda, estão incluídos na atualização de um documento sobre as medidas tomadas pelos religiosos diante dos abusos a menores.

No entanto, a CEE ainda não publicou a auditoria na íntegra, comprometendo-se a torná-la pública em uma data futura.

"Em conclusão, das denúncias, deduz-se 2.056 vítimas no mínimo, embora seja objetivamente evidente que o número é superior", afirmou a CEE em seu documento, citando o relatório do escritório de advocacia Cremades & Calvo Sotelo.

A auditoria, que relata 1.383 denúncias "desde 1905 até o presente", mas não especifica o número de religiosos envolvidos nos crimes, destaca que o perfil das vítimas "é predominantemente masculino", que os abusos ocorreram principalmente em "colégios e seminários" e foram cometidos por padres ou professores.

Encomendada em fevereiro de 2022 pela CEE, a auditoria foi a primeira investigação sobre o tema realizada pela Igreja Católica espanhola - criticada por anos de omissão às vítimas. O prazo inicial era de um ano, mas foi prorrogado.

O relatório da comissão independente coordenada pela Defensoria do Povo incluiu um questionário que indicava que 0,6% da população adulta espanhola, mais de 200.000 pessoas no total de 39 milhões, na época, afirmou ter sofrido abusos sexuais por religiosos católicos quando eram menores.

A porcentagem aumenta para 1,13% da população adulta, equivalente a mais de 400.000 vítimas, se considerados os abusos cometidos por laicos em ambientes religiosos.

O relatório da Cremades & Calvo Sotelo recomenda à CEE "reconhecer o dano causado", adotar "medidas de prevenção" para evitar repetições e fornecer às "vítimas recursos de qualidade para reparar o dano".

A CEE afirma ter implementado protocolos de ação contra abusos, escritórios de "proteção de menores" e que já reparou algumas vítimas.

A Espanha é um país com uma tradição religiosa enraizada, onde cerca de 55% da população se identifica como católica, e 1,5 milhão de crianças estudam em aproximadamente 2.500 escolas católicas.

Ao contrário da França, Alemanha, Irlanda, Austrália e dos Estados Unidos, a Espanha nunca havia realizado uma investigação sobre a pedofilia no clero até recentemente.

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